quarta-feira, 1 de abril de 2015

Times de que Gostamos: Racing Club 1966-1967

No último post da série, lembramos o time do Portsmouth, da temporada 2007-2008, campeão da FA Cup. Neste, voltamos nosso foco para o futebol sul-americano, mais especificamente para a Argentina, onde, em 1966-1967, o Racing Club deu uma resposta aos sucessos de seu rival , o Independiente, com categoria, conquistando glórias nacionais e internacionais.


Em pé: Agustín Cejas, Alfio Basile, Roberto Perfumo, Oscar Martín, Nelson Pedro Chabay, Juan Rulli.
Agachados: João Cardoso, Humberto Maschio, Juan Carlos Cárdenas, Juan Rodríguez, Norberto Raffo
Time: Racing Club

Período: 1966-1967

Time base: Cejas (Carrizo); Martín, Perfumo, Basile, Díaz; Rulli, Rodríguez, Maschio; Cardoso, Cárdenas e Raffo. Téc.: Juan José Pizzuti

Conquistas: Campeonato Argentino, Copa Libertadores da América e a Copa Intercontinental.

O ano era 1965. Vivendo à sombra do sucesso do Independiente, seu grande rival e que havia conquistado o bicampeonato da Copa Libertadores da América, o Racing decidiu tentar resolver seus problemas como uma solução caseira. Ex-jogador do clube e um dos ídolos recentes da Academia, o ex-atacante Juan José Pizzuti foi contratado para ser o treinador do time, retornando dois anos após sua aposentadoria.

Rapidamente, o time que vivia uma época de gravíssimos problemas financeiros (como relatou o capitão Oscar Martín ao ESPN Deportes: “La desorganización era total. Algunos se enojan porque digo la verdad. Pero no me lo contaron, lo viví yo. En el año '64 fuimos a jugar un partido por un asado”) se transformou em uma esquadra vencedora e referenciada como El Equipo de José, um time lembrado pelo belíssimo futebol e pela intensidade que viria a se consagrar com o “Futebol Total” desempenhado pela Seleção da Holanda na Copa do Mundo de 1974.

Mudando a mentalidade e estilo do jogo do time, redescobrindo atletas e modificando as posições de alguns deles, Pizzuti (foto) inventou um time e conseguiu enamorar o público com a beleza de seu jogo. O grito “y ya lo ve, y ya lo ve, es el equipo de José” caiu na boca do povo.

A meta do time campeão argentino em 1966 era defendida por Luis Carrizo, ídolo do clube e lembrado por seu “enorme” porte físico. Dizia-se que o arqueiro possuía 1,90m e 100 kg. Embora seja lembrado com carinho pelos torcedores da Academia, só obteve a condição de titular no referido ano em função de uma grave lesão sofrida pelo titular Agustín Cejas (foto), que era lembrado por sua agilidade e também pela imponente estatura (1,88m). Após sair do Racing, jogou no Santos de Pelé.

O lateral direito era o já citado capitão Oscar Martín. Veterano, era a principal referência moral do time dentro das quatro linhas. Não era um lateral espetacular, mas era útil na defesa e no ataque, sem nunca ter apresentado deficiências consideráveis. Em 172 jogos, tornou-se ídolo e será sempre lembrado por ter sido o ponto de equilíbrio de uma defesa fantástica, porém muito jovem.

Pelo flanco contrário, o posto titular pertencia a Rubén Díaz, “El Panadero”. Dono de porte físico absurdo e um chute potente começou a carreira como zagueiro, mas rapidamente foi realocado, sendo usado na lateral esquerda. Ao todo, disputou 246 jogos pelo clube de Avellaneda, onde é lembrado por ter sido uma das grandes armas ofensivas do time.

A defesa central, um dos pontos mais fortes da equipe, foi formada por dois jogadores de ótimas qualidades técnicas. Um deles, inclusive, não era originalmente beque. Jogador de trato fino da bola e estilo aguerrido, Roberto Perfumo (foto) era o coração da defesa. Apelidado de “Marechal”, exercia muita influência sob seus companheiros. Com o fim de sua trajetória no Racing, partiu para o Cruzeiro. Seu companheiro era Alfio Basile. Meio-campista em sua origem, Basile era um jogador de grande força física e excelência no cabeceio. Com o término de sua carreira se tornou um treinador bem-sucedido.

Protegendo o setor defensivo, Juan Carlos Rulli era um jogador completo. Se o time atacava, ele atacava, se defendia, ele se retraía, com igual eficiência. Em uma esquadra tão talentosa, passava por vezes despercebido, embora fosse sabidamente vital para a estrutura da equipe. Atuando também no meio-campo, todavia mais pelo lado esquerdo, Juan Rodríguez era dotado de boa habilidade e velocidade. Com 29 para 30 anos, era outra referência de experiência para a equipe.

À frente dos dois, atuou o maior craque deste time: Humberto Maschio (foto). Atacante em sua origem, gradualmente foi se transformando em um talentosíssimo criador de jogo. Muito inteligente e dono de ótima movimentação, jogava e fazia os outros jogarem, se confirmando como a principal referência técnica da equipe. Contratado após fazer sucesso na Itália, “El Bocha” tinha experiência internacional e chegou ao clube com um bom currículo. Não obstante, mostrou sempre uma grande fome de títulos.

À frente, um trio de atacantes encantava ainda mais as arquibancadas. Pelo lado direito, atuava o brasileiro João Cardoso. Desconhecido em território Tupiniquim, o atacante que passou pelo Grêmio e gostava de atuar como centroavante teve de se adaptar ao jogo pelo lado e sempre correspondeu, firmando-se como um dos destaques do Racing e um dos melhores brasileiros que já atuaram no futebol argentino. Pela faixa canhota, destacou-se Norberto Raffo, sempre lembrado pelo desempenho assombroso de seus cabeceios – o que é curioso tendo em vista que o jogador não era alto – e também por ter sido o grande artilheiro da Copa Libertadores de 1967, com 14 gols.

Pelo centro do ataque, atuou o histórico Juan Carlos Cárdenas (foto), autor do miraculoso gol do título intercontinental: um petardo de perna canhota, de um jogador destro, que nunca será esquecido pelos hinchas do Racing. Autor de 89 gols em 297 partidas com a camisa celeste e branca, atuou por dez anos em Avellaneda e é um dos maiores ídolos da história do clube.

Além destes jogadores, é importante ressaltar a importância e influência de outras três figuras. Em primeiro lugar, a do defensor multifuncional Nelson Chabay. Uruguaio, podia fazer qualquer função defensiva. Além dele, Miguel Ángel Mori, um meio-campista de ótimo posicionamento e facilidade para desempenhar quaisquer funções na faixa central, e o atacante Nestor Rambert eram figuras importantes para o treinador Juan José Pizzuti.


Ficha técnica de alguns jogos importantes no período:

Play-off da Final da Copa Libertadores da América de 1967: Racing 2x1 Nacional

Estádio Nacional, Santiago

Árbitro: Pérez Osorio

Público 50.000

Gols: ’14 Cardozo e ’43 Raffo (Racing); ’79 Viera (Nacional)

Racing: Cejas; Martín Perfumo, Basile, Díaz; Mori, Rulli, Maschio; Cardoso (Parenti), Cárdenas, Raffo. Téc.: Juan José Pizzuti

Nacional: Domínguez, Manicera, Em.Alvarez, Ubiña, Montero Castillo, Mujica, Urruzmendi, Viera, Celio, Espárrago, Morales (Oyarbide). Téc.: Washington Etchemandi

Segundo Jogo da Final do Intercontinental: Racing 2x1 Celtic

Estádio El Cilindro, Avellaneda

Árbitro: Esteban Marino

Público 100.000

Gols: ’33 Raffo e ’49 Cárdenas (Racing); ’21 Gemmell (Celtic)

Racing: Cejas; Martín, Perfumo, Basile, Chabay; Rulli, Rodríguez, Maschio; Cardoso, Cárdenas, Raffo. Téc.: Juan José Pizzuti

Celtic: Fallon; Craig, O’Neill, McNeil, Gemmell; Johnstone, Murdoch, Clark; Lennox, Wallace, Chalmers. Téc.: Jock Stein

Play-off da Final do Intercontinental: Racing 1x0 Celtic

Estádio Centenario, Montevidéu

Árbitro: Rodolfo Osorio

Público 65.172

Gol: ’56 Cárdenas (Racing)


Racing: Cejas; Martín, Perfumo, Basile, Chabay; Rulli, Rodríguez, Maschio; Cardoso, Cárdenas, Raffo. Téc.: Juan José Pizzuti

Celtic: Fallon; Craig, McNeill, Gemmell; Johnstone, Murdoch, Auld, Clark; Lennox, Wallace, Hughes. Téc.: Jock Stein

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