quarta-feira, 1 de julho de 2015

Times de que Gostamos: Vélez Sarsfield 1994

Após lembrar o excelente time do Borussia Mönchengladbach, de meados da década de 70, período em que os Fohlen comandaram o futebol na Alemanha, trato do bom time do Vélez Sarsfield de 1994, que, treinado por Carlos Bianchi, conquistou a única Copa Libertadores da América de sua história.


Em pé: Trotta, Gómez, Sotomayor, Chilavert, Zandoná, Basualdo.
Agachados: Bassedas, Flores, Asad, Pompei, Cardozo.























Time: Vélez Sarsfield

Período: 1994

Time Base: Chilavert; Zandoná (Almandoz), Trotta, Sotomayor (Pellegrino), Cardozo; Gomez, Basualdo, Bassedas, Pompei ; Turu Flores e Asad. Téc.: Carlos Bianchi

Conquistas: Copa Libertadores da América e Intercontinental

Indiscutivelmente identificado e lembrado com carinho no Boca Juniors, o treinador Carlos Bianchi fez boa parte de sua interessante carreira como jogador no Vélez Sarsfield. Apesar disso, foi como comandante de El Fortín que El Virrey conquistou sua maior glória pelo clube.

Mostrando as características que o consagrariam como um dos maiores treinadores argentinos de todos os tempos, Bianchi montou um time extremamente organizado taticamente e capaz de mostrar diferentes estilos, jogando tanto tecnicamente quanto com a raça habitual dos Hermanos. Dessa forma, conseguiu avançar no Grupo 2, que continha Cruzeiro, Palmeiras e Boca Juniors, e seguir até a conquista do título da Copa Libertadores da América de 1994.

Durante o ano de 1994, o Vélez bateu grandes equipes como um Cruzeiro que tinha nomes como Dida e Ronaldo, o Junior de Barranquilla de Carlos Valderrama, o grande São Paulo de Telê Santana e um excepcional Milan, no Intercontinental, ao final do ano. Com uma equipe que mesclou a experiência de jogadores como José Luis Chilavert e José Basualdo com a juventude de Turu Flores e Christian Bassedas, o clube argentino conquistou seu único título da América, com bom futebol e uma pitada de sorte em disputas de pênaltis.

Defendendo a meta argentina, estava um dos melhores goleiros da década de 90, o polêmico paraguaio Chilavert. Em todos os aspectos o arqueiro era incomum. Robusto, desbocado, cobrador de faltas e pênaltis (foi durante muitos anos o goleiro com maior número de gols da história, ultrapassado recentemente por Rogério Ceni), era chamado de Buldogue e em alguma parte de sua carreira inclusive estampou o cão em suas camisas.

Embora seja lembrado por algumas confusões, que envolvem brigas com Faustino Asprilla e Diego Armando Maradona, Chilavert era um goleiro extremamente seguro e capaz das mais impensáveis defesas. Além disso, sempre se mostrou um líder. No Vélez foi ídolo, defendendo a equipe entre 1991 e 2001 e marcando 48 gols.

As laterais da equipe eram compostas por Flávio Zandoná e Raul Cardozo, ambos mais conhecidos pela capacidade de marcação do que propriamente pelo apoio ao ataque. O primeiro, que atuava pela direita, é lembrado pelo público brasileiro por ter agredido o então flamenguista Edmundo, no ano de 1995.

Zandoná não era titular absoluto e disputava a posição com Héctor Almandoz, cujas características eram semelhantes, sendo ambos marcados pela raça e uma certa catimba. Cardozo, por outro lado, jogador que atuou entre 1986 e 1999 no Vélez, possuía mais recursos técnicos, mas também tinha como ponto mais forte sua qualidade defensiva.

O miolo de zaga da equipe, um de seus setores mais fortes, era composto pelos fortes e vigorosos Roberto Trotta (foto), capitão do time, e Víctor Hugo Sotomayor. Altos para a época, viris e fortes fisicamente, eram suscetíveis ao recebimento de muitos cartões, mas intimidavam, como poucos, os atacantes rivais. Durante sua carreira, Trotta ficou famoso pelo recorde de 17 cartões vermelhos no Campeonato Argentino, mas também é lembrado por sua liderança e por inaugurar o marcador no Intercontinental, contra o Milan.

Como um primeiro volante, logo à frente da defesa, o Vélez contou com a proteção de Marcelo El Negro Gómez, revelado no próprio clube e que representou cores de El Fortín durante sete anos. Outro jogador de forte poder de marcação, aos 24 anos, tinha muita vitalidade e poder de marcação, mas cometia muitas faltas.

Em uma segunda linha de meio-campistas, ajudando tanto o setor defensivo quanto o ofensivo, José Basualdo (foto) era o jogador mais técnico da equipe. Experiente, o jogador já havia ultrapassado a casa dos 30 anos, disputado torneios com a Seleção Argentina e atuado no exterior (onde representou o Stuttgart) quando ajudou o Vélez a conquistar a Libertadores. Sua capacidade de ligar defesa e ataque, com um bom passe e visão de jogo o tornavam a grande referência do meio argentino. Antes do término da Copa Libertadores, Basualdo foi à Copa do Mundo dos Estados Unidos.

Auxiliando-o, havia a presença de Christian Bassedas, à época um jovem de 21 anos. Talentoso com a bola no pé, dono de bom passe e muita noção tática, podia atuar em qualquer posição do meio-campo e até mesmo como líbero. Cria da casa, atuou 10 anos no Vélez e depois seguiu para o Newcastle United, tendo atuando, ainda, pela Albiceleste. 

Como a figura mais avançada de um meio-campo raçudo e pegador, o Vélez tinha Roberto “Tito” Pompei, outro jogador revelado nas categorias de base do próprio time. É lembrado por sua função como enganche e por ter convertido o último pênalti do título da Copa Libertadores, contra o São Paulo, em pleno Morumbi. Como era muito bem protegido por seus companheiros de meio-campo, Pompei tinha liberdade para se deslocar por toda a faixa ofensiva do meio-campo, auxiliando os atacantes e complicando a vida das defesas adversárias.

O ataque da equipe do bairro de Liniers era formado por uma dupla jovem, formada por José Óscar “Turu” Flores (foto) e Omar “El Turco” Asad. Outros dois pratas da casa, os atacantes formavam uma dupla muito completa e eficiente. Flores é lembrado por sua habilidade e por um movimento característico (uma espécie de “quebra” da cintura) com as pernas que desmontava marcações inteiras e desestabilizava rivais. Em 181 jogos pelo clube, marcou 56 vezes. Posteriormente, mudou-se para o futebol espanhol, onde defendeu Las Palmas, Deportivo La Coruña, Real Valladolid, Mallorca e Murcia.

Asad, por outro lado, era famoso por seu faro de gol apuradíssimo. Vice-artilheiro da Copa Libertadores de 1994, foi eleito o melhor jogador da final do Intercontinental do mesmo ano, marcando o tento do título argentino. Apelidado em função de suas origens, o jogador era forte e letal na área adversária. “El Turco” atuou durante toda a sua breve carreira no Vélez, encerrando-a em 2000, em função de problemas de lesões. Em 145 jogos, marcou 31 gols, o que parece pouco, mas é compreensível em função da quantidade e gravidade dos problemas com os quais conviveu.

Como dito no princípio, a equipe argentina tinha o grande Carlos Bianchi na chefia. Não obstante, à época, o comandante era apenas um promissor treinador, que ainda não possuía grandes glórias. Com um estilo de garra, técnica e catimba, que consagrou sua carreira, o Virrey fez seu primeiro grande trabalho, aumentando ainda mais a idolatria que o clube já possuía em si. Além dele, o banco de reservas contava com jogadores úteis como o zagueiro Maurício Pellegrino, que mais tarde faria história com a camisa do Valencia, e os meio-campistas Claudio Husain e Patricio Camps.



Ficha técnica de alguns jogos importantes nesse período:

Grupo 2 da Copa Libertadores: Vélez Sarsfield 2x0 Cruzeiro

Estádio El Fortín, Buenos Aires

Árbitro: Eduardo Dluzniewski

Gols: ’14 Trotta e ’29 Asad (Vélez)

Vélez: Chilavert; Almandoz, Trotta, Sotomayor, Cardozo; Gómez, Basualdo, Bassedas, Camps; Tutu Flores (Pompei) e Asad (Husaín) Téc.: Carlos Bianchi

Cruzeiro: Dida; Paulo Roberto, Luizinho, Célio Lúcio, Nonato; Ademir (Catê), Cleisson (Toninho Cerezo), Douglas, Luís Fernando, Roberto Gaúcho; e Ronaldo. Téc.: Ênio Andrade

Semifinal da Copa Libertadores: Vélez Sarsfield 2(5)x1(4) Atlético Junior

Estádio El Fortín, Buenos Aires

Árbitro: Iván Guerrero

Público 45.000


Gols: ‘4 Bassedas e ’12 Turu Flores (Vélez); ’18 Valenciano (Atlético)/ Trotta, Chilavert, Zandoná, Pompei e Basualdo converteram seus pênaltis; Turu Flores perdeu (Vélez); Valenciano, Mendoza, Carlos Valderrama, MacKenzie converteram seus pênaltis; Méndez e Ronald Valderrama desperdiçaram (Atlético)

Vélez: Chilavert; Zandoná, Trotta, Sotomayor, Cardozo; Gómez, Basualdo, Bassedas, Pompei; Turu Flores e Asad (Fernández). Téc.: Carlos Bianchi

Atlético Junior: Paso; Méndez, Mendoza, Cassiani, Briasco (R. Valderrama), Grau; Galeano, C. Valderrama, Víctor Pacheco; Valenciano e Araújo (MacKenzie). Téc.: Julio Comesaña

Final da Copa Libertadores: São Paulo 1(3)x0(5) Vélez Sarsfield

Estádio Morumbi, São Paulo

Árbitro: Ernesto Filippi

Público 92.560

Gol: ’33 Müller (São Paulo)/ André Luiz, Müller, Euller converteram seus pênaltis; Palinha perdeu (São Paulo); Trotta, Chilavert, Zandoná, Almandoz, Pompei converteram seus pênaltis (Vélez)

São Paulo: Zetti, Vítor (Juninho Paulista), Gilmar, Júnior Baiano, André Luiz; Válber, Axel, Cafu, Palinha; Müller e Euller. Téc.: Telê Santana

Vélez: Chilavert; Zandoná, Trotta, Pellegrino, Cardozo; Almandoz, Gómez, Basualdo (Pompei), Bassedas; Turu Flores (Husaín), Asad. Téc.: Carlos Bianchi

Final do Intercontinental: Vélez Sarsfield 2x0 Milan

Estádio Nacional, Tóquio

Árbitro: José Torres Cadena

Público 47.886

Gols: ’50 Trotta e ’57 Asad (Vélez)

Vélez: Chilavert; Almandoz, Trotta, Sotomayor, Cardozo; Gómez, Basualdo, Bassedas, Pompei; Turu Flores, Asad. Carlos Bianchi

Milan: Rossi; Tassotti, Baresi, Costacurta, Maldini; Desailly, Donadoni, Albertini, Boban (Simone), Savicevic (Panucci); Massaro. Téc.: Fabio Capello

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