sexta-feira, 30 de outubro de 2015

O brilhante retorno de Kuyt ao Feyenoord

Durante muitos anos, acostumamo-nos a ver um jogador de cabelos loiros desgrenhados entregar uma enorme raça e dedicar-se como poucos a duas camisas de tons avermelhados, no Liverpool e na Seleção Holandesa: Dirk Kuyt. Muitas vezes tido como um talismã, o versátil atacante construiu uma grande admiração das torcidas por onde passou e, aos 35 anos, mostra que não retornou ao Feyenoord – clube em que destacou-se antes de partir para a Inglaterra – para ser apenas uma apagada referência. O jogador voltou para ser decisivo.



Escolhido como o capitão do clube do povo, com a saída de Jordy Clasie para o Southampton, o jogador rapidamente devolveu o brilho ao olhar de um torcedor que sofre há 16 anos com a falta de um título nacional, vivendo à sombra dos grandes rivais, PSV e Ajax e, até mesmo, de equipes menores como AZ Alkmaar e Twente.

Não são só seus muitos gols os responsáveis. A habitual dedicação e entrega que o tornaram figura popular em todos os cantos em que jogou segue presente nos pés de um holandês que foge à regra dos grandes destaques históricos do país: não é a classe e o refino técnico que o tornam um atleta diferenciado, mas sua persistência.

Leia mais: Times de que Gostamos: Feyenoord 1969-1970

Vestindo o mesmo número 7 de sua primeira passagem, o atleta tem sido a referência que um grupo com média de idade pouco superior aos 24 anos precisava. Talento não faltou nos últimos anos ao Feyenoord e a maior parte dele veio da base do clube, na figura de jogadores como Clasie, Tonny Vilhena, Terence Kongolo, Bruno Martins Indi, Graziano Pellè, Stefan de Vrij, Daryl Janmaat, Leroy Fer ou Georginio Wijnaldum. Todavia, desde a aposentadoria de Jon Dahl Tomasson, faltava um comandante, um líder vivido e com experiência.



Kuyt não oferece a qualidade técnica de jogadores como Robin van Persie, outro revelado no Feyenoord, mas trabalhando duro tem mostrado o poder de trazer a confiança ao restante do elenco.

Além disso, tem marcado muitos gols, cumprindo também seu papel dentro das quatro linhas. Até o momento, são 10 em 10 jogos na Eredivisie e 2 em 2 jogos pela Copa da Holanda. Assim, o clube divide a liderança do Campeonato Holandês com o Ajax.

A bonita história no Feyenoord, a qual Kuyt vem escrevendo novas páginas, começou em 2003, quando o jogador foi contratado junto ao Utrecht. O curioso é que à época, o último encontro que disputou por sua primeira equipe foi contra justamente contra o Feyenoord, na final da Copa da Holanda. Na ocasião, já de contrato firmado com o clube de Roterdã, Kuyt fez um grande jogo, marcou um dos gols da vitória do Utrecht e revelou:

“Eu tive que dar tudo pelo Utrecht pela última vez para que os torcedores do Feyenoord soubessem que eu darei tudo por eles também”.

Esse é Dirk Kuyt. Em sua primeira temporada foi o artilheiro da equipe com 21 gols; na segunda idem, só que desta vez com 32 tentos; e o mesmo se repetiu em sua última, quando balançou as redes 25 vezes – e esses números ainda desconsideram as 46 assistências criadas. Faltaram, no entanto, títulos e essa foi uma das razões para seu seu retorno. Seu contrato de apenas um ano é outra mostra de que o jogador resiste a aceitar um fim de carreira na calmaria. Com ele, o desafio precisa ser constante.

“Uma das coisas decepcionantes de minha primeira passagem foi o fato de que eu não conquistei um troféu. Certamente eu tenho a ambição de conseguir isso nesta vez. O período de dificuldades financeiras do Feyenoord está atrás, e um time muito talentoso está unido”, revelou em sua volta.

Admirado, o ponta que já foi volante, meio-campo, lateral direito e esquerdo e centroavante tem sido o ponto da virada do Feyenoord na temporada. É difícil prever até onde vai o fôlego da equipe, mas, diante de um momento em que o PSV sofre para repor as saídas de Wijnaldum e Memphis Depay e o Ajax tenta voltar ao topo com um time de garotos, é crível que o clube possa livrar-se do peso de seu longo jejum, até mesmo porque tem agora um capitão que de fato não acredita no impossível.

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