quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Thomas Müller e seu jeito diferente de ser craque

Desde os primórdios da história do futebol, o imaginário dos envolvidos se confunde com a realidade. A razão? A classe, os dribles e a visão de jogo de grandes craques. Figuras que vão desde mitos antigos como Stanley Matthews e vão encontrar correspondência em grandes ícones atuais, como são os casos de Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, os craques aumentam a fantasia do espetáculo. Fugindo deste padrão, um alemão vem, há anos, mostrando status de craque, mas à sua maneira. Ele é Thomas Müller.



Cria da famigerada base do Bayern de Munique, o atacante magricela e desengonçado, com meiões arriados nas canelas, chama atenção desde os primeiros momentos em que pisou em gramados profissionais. Onde não se vê a magia dos melhores, vê-se a eficiência e a dedicação dos vencedores. Müller é o estereótipo do bom jogador alemão, destinado ao sucesso em razão do afinco nos treinamentos.

No campo, Müller já fez e faz de tudo. Já foi centroavante, segundo atacante, ponta e até volante. Além disso, e até mesmo mais importante, o jogador de 26 anos sempre marcou muitos gols, em grande parte em partidas decisivas. Pelo Bayern já são 134 tentos em 320 jogos.

Desde a Copa do Mundo de 2010, é possível enumerar participações decisivas do alemão. São os casos de partidas do peso de confrontos contra Inglaterra, Argentina e Uruguai no Mundial da África do Sul; de finais da Supercopa da Alemanha de 2010 e da da UEFA Champions League de 2012; de uma goleada contra o Barcelona em 2013; e de êxitos contra Portugal e Brasil na Copa de 2014, dentre várias outras.

Leia mais: Acima de todos o Bayern

Pela idade, o atleta ainda pode quebrar o recorde histórico de Miroslav Klose e se tornar o maior artilheiro da história das Copas do Mundo. Em duas edições, já são 10 tentos em 13 partidas. O atual recordista levou quatro para marcar 16 vezes, disputando 24 partidas. Além disso, já tendo marcado 31 gols em cinco anos com a Seleção Germânica, pode bater outro recorde de Klose (detentor de 71 gols em 13 anos) e se tornar o maior goleador da história da Nationalef.

No entanto, muitos ainda recusam-se a admitir o jogador como um craque. De fato, seu estilo de jogo não enche os olhos. Seu destaque maior não é individual - embora ocasionalmente o seja. Sua corrida desengonçada e suas passadas largas não produzem o mesmo brilho que as arrancadas e dribles de jogadores como Neymar ou Arjen Robben. Ainda assim, ele está sempre no campo, entregando-se em todos os minutos e fazendo a alegria do torcedor do Bayern e da Alemanha.

"Thomas é tão bem-sucedido porque nenhum treinador consegue decodificá-lo taticamente", revelou o diretor esportivo do Bayern, Matthias Sammer, no último mês de setembro.

Müller vem se caracterizando como o dito Raumdeuter, aquele jogador que circula por toda parte, dá opções a todo tempo e abre espaços para seus companheiros, revelando impressionante inteligência tática. Nesse sentido, é muito mais raro do que grandes dribladores que se acostam nos flancos do campo. Ele não é um armador, mas faz o time jogar; também não é um centroavante, porém marca muitos gols. É difícil compará-lo com outros atletas - não por ser "incomparável", mas por ser diferente.

Suas peculiaridades o distinguem do "craque modelo", mas são justamente a razão que o permite integrar um grupo extremamente seleto de jogadores. Por mais que muitos insistam em ver no futebol do camisa 25 do esquadrão bávaro um "peladeiro", é difícil não enxergar sua importância capital para as equipes que representa, fazendo de tudo e possibilitando um grande número de variações a seus treinadores. De forma muito própria, Thomas Müller também é um dos grandes craques da atualidade.

2 comentários :

  1. Ótimo texto e justíssima homenagem, Thomas é dos maiores jogadores do mundo já a alguns anos. seus numeros em copas são a prova disso. visão de jogo diferenciada

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