quinta-feira, 6 de outubro de 2016

A vez de Giuliano

Recentemente vendido ao Zenit, o meia Giuliano, que foi fundamental para o título da Copa Libertadores da América do Internacional em 2010 e era importante para o Grêmio até sua saída, vive momento especial. Marcando muitos gols, distribuindo assistências e lutando pelo título do Campeonato Russo, vem recebendo espaço na Canarinho.



Apesar disso, muito se debateu sobre a decisão tomada por Giuliano quando retornou ao futebol do Leste Europeu. Seu passado ajuda a entender a razão.

Após brilhar intensamente com a camisa do Internacional, período em que rapidamente passou a ser considerado opção para a Seleção Brasileira, o meia passou três longas temporadas no Dnipro, da Ucrânia, sendo esquecido pelo público brasileiro e apagando suas chances de estar presente na Copa do Mundo de 2014. Passado o certame, com o título alemão, retornou ao país em um movimento ousado; Giuliano passou a representar as cores do Grêmio, grande rival do Colorado.

Não obstante, o nível futebolístico que levou o meio-campista a ser considerado o melhor jogador da Copa Libertadores de 2010, ocasião em que marcou vitais seis gols, não foi visto com o manto do Imortal. Não é que não tenha ido bem, o foi (habilitando-se, inclusive, a retornar à Europa), mas não conseguiu ser decisivo como outrora e por isso não vinha sendo considerado opção para a Seleção Brasileira.

Vestindo nova camisa azul, no entanto, Giuliano vem brilhando intensamente. Com nove partidas disputadas pelo Zenit, o jogador mostra muita maturidade; não precisou de tempo para se ambientar e já tem imenso destaque.

Até o momento, no Campeonato Russo, em sete partidas marcou seis tentos e criou duas assistências; na Europa League tem mais dois gols e cinco passes para seus companheiros marcarem, em dois encontros. Seu desempenho é fulgurante.

Vale mencionar que o jogador brilhou em partidas duríssimas, como na vitória contra o Spartak Moscou (atual líder do Russo), e, especialmente, no massacre contra o AZ Alkmaar-HOL, na Europa League, 5x0. É também relevante mencionar que o atleta acertou uma média de 83% de passes nos jogos da Europa League e de 85,5% na Russian Premier League, deixando ainda mais evidente seu encaixe imediato nos Sine-Belo-Golubye.

É claro: seu estilo de jogo facilita muito sua adaptação. Meio-campista que não foge ao rótulo de “moderno”, consegue exercer as funções de armação e ataque e ainda é útil na recomposição. Para o modelo que Tite vem esboçando para a Seleção Brasileira pode se confirmar peça utilíssima. No esquema tático 4-1-4-1, pode tranquilamente exercer uma das duas funções centrais da segunda linha de quatro atletas, até mesmo porque a forma como Zenit atua se aproxima disso, com o volante espanhol Javi García mais recuado e o meio-campista belga Axel Witsel um pouco à frente.

Tite bem sabe disso, uma vez que treinou o atleta de 26 anos no Internacional e deve apostar em sua escalação para a partida contra a Bolívia, na vaga de Paulinho, teoricamente um atleta mais defensivo.

“Tenho característica de jogar no meio-campo em diversas funções, ora como segundo atacante, ora pelo meio. Tenho liberdade de criação, de chegar à área, essa função me proporciona estar perto do gol.
Vivo uma fase importante na minha carreira, de muitos gols, justamente por essa liberdade de movimentação. Espero repetir na Seleção (...) Todos os jogadores que foram convocados têm condições de ser titular. E o momento no teu clube te proporciona essa oportunidade. Nós temos que aproveitar quando surgir a oportunidade e depois deixar o treinador decidir”, disse o meia em entrevista coletiva, ressaltando seu bom momento.

Com perfil semelhante ao de Renato Augusto, outro em quem Tite deposita confiança, Giuliano vai reconstruindo sua carreira. Se o movimento para a Rússia parecia escolha ruim, com seu hipotético olvido, o efeito da mudança tem sido exatamente o contrário. É claro, em termos de Seleção Brasileira, é inegável a importância da presença de Tite, que sempre apreciou suas qualidades. Entretanto, não se pode esquecer que o jogador tem feito por merecer.

De peça importante de um time do Grêmio que chegou a lutar pelo título brasileiro a peça vital do Zenit na luta pelo título russo e com boa projeção na Europa League, Giuliano justifica sua presença no escrete verde-amarelo. Em fase excelente, resta ao meia provar em campo a confiança entregue em seu futebol, provando ao público brasileiro o que o russo já está se acostumando – gols, assistências, movimentações inteligentes, utilidade coletiva e dedicação.

Diante do momento pela qual passa a Canarinho, com remodelação, há abertura para a convocação de atletas que não vinham tendo espaço e estão em boa fase. Metaforicamente, pode-se dizer que o trem de Tite está parado na estação e há lugares vagos: é hora de juntar as economias para comprar a passagem. Giuliano já assegurou boa parte dos valores necessários, mas sabe que para garantir seu bilhete, precisa dar continuidade a seu (ótimo) momento.

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