segunda-feira, 21 de novembro de 2016

A ascensão de Andrea Belotti

Desde a saída do treinador Antonio Conte do comando da Seleção Italiana, o selecionado vem sofrendo um processo de renovação. Sob a direção de Giampiero Ventura, ex-comandante do Torino, novos jogadores vêm tendo oportunidades na Squadra Azzurra, alguns deles antigos comandados do novo técnico. É esse o caso do atacante Andrea Belotti, que estreou por seu país em setembro e vai repetindo o bom desempenho que já vinha sendo percebido com as camisas dos clubes em que atuou.



Início animador de carreira

Tudo começa no modesto AlbinoLeffe, que hoje disputa a terceira divisão do futebol italiano. O ano é 2012 e o Gallo, como é conhecido Belotti, dá seus primeiros piques no futebol profissional, aos 18 anos. Já em seu primeiro jogo, contra o Livorno, o atacante vai às redes. Nem o placar desfavorável, que sinaliza 4x1 em desfavor de sua agremiação, é capaz de evitar que o jovem chame a atenção do público. Contudo, como é comum, o garoto foi lançado em momento difícil para seu time, que viria a ser rebaixado da segunda para a terceira divisão ao final daquela temporada.

Falando na dita temporada 2011/12, a despeito do fracasso da equipe principal, quando representou o clube no torneio nacional sub-19, Belotti foi muito bem, marcando 12 tentos em 21 jogos.

Apesar disso, a temporada seguinte seria composta por um desafio bem mais espinhoso, com o jogador já confirmado no elenco profissional da equipe, que frequentou a pouco requintada Lega Pro.

No ano, o time fez campanha digna, terminando na sexta posição e o jovem voltou a ter bom desempenho: 12 gols em 29 partidas. Com isso, a despeito de o AlbinoLeffe não ter conseguido o acesso, Belotti chegou à segundona italiana: por empréstimo, que ao final seria convertido em uma transferência no valor de €5,5 milhões, o jovem deixou a província nortenha de Bergamo pela Sicília, onde representou as cores róseas do Palermo.

Em sua primeira temporada com a camisa Rosanera, o goleador contou com as companhias do argentino Paulo Dybala e do uruguaio Abel Hernández, e foi peça importante para o acesso da equipe à Serie A, com o título. Em 24 partidas, anotou 10 tentos. Todavia, não brilhou em sua temporada de estreia na primeira divisão. Conquanto tenha disputado todos os jogos de sua equipe, só balançou as redes seis vezes, sendo sua estrela ofuscada pela da excelente dupla formada por Dybala e Franco Vázquez.

Ainda assim, suas qualidades lhe valeram nova transferência, dessa vez ao Torino, equipe em que veria seu futebol desabrochar em definitivo.

Chegada ao Torino

Apesar das mostras regulares de talento em AlbinoLeffe e Palermo, Belotti não teve um início de trajetória dos mais animadores no Estádio Olímpico de Turim. Foram necessárias 11 rodadas (sete delas saindo como titular), ou 558 minutos, do Campeonato Italiano para que o atleta finalmente fosse às redes. A falta de gols e a concorrência de Fabio Quagliarella e Maxi López também foram importantes limitadores de minutos para o Gallo.

A despeito de um primeiro turno fraco, com apenas um tento convertido, muita coisa mudou na segunda parte do Campeonato Italiano 2015/16. Quagliarella partiu para a Sampdoria e Ciro Immobile retornou ao Torino por empréstimo, após passagens ruins por Borussia Dortmund e Sevilla. Embora para o próprio Immobile a volta não tenha sido tão boa, o tendo como parceiro Belotti desencantou. Foram 11 tentos no segundo turno.


Além da importância da chegada de Immobile, outro ponto que auxiliou foi a parceria com o venezuelano Josef Martínez em muitas partidas. Isso em razão de o jogador possuir maior mobilidade do que os demais companheiros possíveis de Belotti. De todos os gols que o italiano marcou, um contou com assistência de Martínez e outros três de Immobile (que deixaria a equipe nessa temporada), dando conta da importância dos parceiros. Nenhum outro atacante lhe proveu assistências.

Terminando a temporada 2015/16 em alta, Belotti começou a atual on fire. Na estreia, gol na derrota para o Milan; no segundo jogo, hat-trick perante o Bologna. Em onze partidas já são 10 tentos. Nem uma lesão que o tirou da terceira e da quarta rodadas foi capaz de parar o goleador de estilo tipicamente italiano: forte fisicamente (usa muito bem o corpo), de boa finalização com os pés e forte cabeceio, sempre apto à luta. Assim, Belotti seu caminho não poderia ser outro senão a chegada à Seleção Italiana.

Oportunidades na Seleção Italiana e bom desempenho

Muito se falou sobre uma possível convocação de Belotti para a disputa da Euro 2016. Apesar disso, o então treinador do selecionado italiano, Antonio Conte, preferiu confiar a tarefa de marcar gols a jogadores que já vinham sendo chamados (Graziano Pellè, Simone Zaza, Immobile e Éder). Assim, assistiu de longe a Squadra Azurra chegar às quartas de finais e ser eliminada nos pênaltis pela Alemanha.

Conte saiu. Giampiero Ventura, seu ex-técnico no Torino, assumiu e, com um processo necessário de renovação, as primeiras chances de Belotti na Seleção Italiana vieram.

Sua estreia ocorreu em amistoso contra a França, em setembro deste ano. Na ocasião, o jogador substituiu Éder, mas passou em branco. Após atuar durante poucos minutos em partida contra a Espanha, válida pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018, contra a Macedônia foi finalmente titular e marcou. Atuando novamente ao lado de Immobile, fez seu primeiro tento por seu selecionado. A seguir, veio partida contra a fraca equipe de Liechtenstein, mais dois gols anotados e uma assistência provida para Immobile.

“Sei que essa é uma chance muito importante para mim, estou na esfera da seleção e farei de tudo para ficar aqui. Tenho que mostrar meu valor no campo e sei que posso dar uma grande contribuição para esse time”, disse o atacante em entrevista coletiva após a vitória da Itália contra Liechtenstein

Por fim, foi titular no amistoso entre Itália e Alemanha, que terminou com o zero no placar e lhe rendeu elogios de Oliver Bierhoff, ex-atacante da Nationalelf com passagem por Ascoli, Udinese, Milan e Chievo: “Belotti foi muito bem e, felizmente para nós, não teve sorte quando chutou na trave. Eu realmente gostei de seu desempenho.

Vale mencionar que o atleta já contabilizava partidas pelas equipes de base da Itália, nos escalões sub-19, 20 e 21, disputando um total de 35 jogos e anotando 15 tentos.

Aos 22 anos, Belotti vive grande momento e está em evidência. Com a titularidade da Seleção Italiana e a artilharia do Campeonato Italiano ao lado de Edin Dzeko e Mauro Icardi, o futebol do italiano tem chamado a atenção. Sua ascensão não foi fácil, tendo períodos em divisões inferiores, mas foi rápida. Com contrato até 2020 com os Granate, já desperta o interesse de outras equipes (de Arsenal, Liverpool e Everton sobretudo), o que é natural, afinal, hoje, o futebol que tem jogado é de primeira categoria.

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