segunda-feira, 3 de abril de 2017

A impressionante personalidade de Ousmane Dembélé

Há aproximadamente um ano e meio, das categorias de base do Rennes despontava um jovem de enorme talento. Contudo, como é sabido, no futebol não basta que se tenha qualidades para o alcance do maior nível de competitividade. É por isso que, passado o período de aproximadamente 17 meses, o desempenho daquele garoto assombra. Do Rennes ao Borussia Dortmund, chegando à Seleção Francesa com apenas 19 anos, Ousmane Dembélé se confirma protagonista no clube aurinegro e joga tão bem que nos deixa à vontade para imaginar qual será o limite de suas capacidades técnicas.



Desde muito cedo, ficou claro que o Rennes possuiria seu diamante por pouco tempo. Após disputar apenas quatro minutos em sua estreia como profissional, já no segundo jogo, Dembélé foi às redes, anotando seu primeiro tento.

Alguns meses depois, quando a temporada 2015/16 se aproximava do fim, o garoto já era alvo das maiores equipes do planeta; Especulou-se o interesse de Barcelona, Manchester City e Bayern de Munique. Todavia, foi o Borussia Dortmund o clube, sabiamente, escolhido pelo garoto.

No Vale do Ruhr, o francês encontrou um clube que dá tempo e tem paciência para que jovens talentos possam se adaptar e desenvolver o máximo de suas aptidões técnicas. A despeito disso, não precisou passar por período de ajuste. Logo que chegou, vestiu a camisa 7 da equipe e se tornou peça fulcral para os planos do treinador Thomas Tuchel. Dono de especial apreço por jogadores que oferecem múltiplas alternativas, o comandante alemão logo passou a aproveitar ao máximo as capacidades de seu prodígio, que respondeu rápida e positivamente.

Alternativa para qualquer setor do meio-campo ofensivo aurinegro, pelos flancos direito e esquerdo e, ademais, pelo centro, mostra profundo destemor quando se vê frente a frente com os melhores e mais duros defensores do futebol alemão e europeu. Sua impressionante velocidade, combinada com sua habilidade, visão de jogo e aptidão para o uso dos dois pés têm sido, ao lado do faro de gol de Pierre-Emerick Aubameyang, a chave do jogo do Borussia Dortmund.

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Se em sua primeira temporada como jogador profissional Dembélé se destacou com enorme número de gols – foram doze, além de cinco assistências, em 29 partidas –, nessa sua veia como assistente é que mais chama atenção: em 37 jogos ofertou 16 passes que se converteram em gols, tendo balançado as redes em sete ocasiões. O jovem francês se mostra capaz de fazer tudo o que um meia-atacante precisa e dá mostras de que já é capaz de atuar no mais alto nível de competição possível.

“É claro que adoramos seus dribles, gostamos de sua bravura, de sua velocidade, seu controle de bola. Conhecemos muito sobre os aspectos de seu jogo nos treinamentos. Ousmane é um jogador que combina brilhantemente dribles, passes e criação de espaços em um nível muito alto. Isso é extraordinário”, disse Thomas Tuchel, em entrevista coletiva, concedida em outubro de 2016.

Uma das maiores provas de que Dembélé já mostra capacidade para decidir os grandes jogos foi sua ótima atuação no último clássico entre Dortmund e Schalke 04 – empate por 1x1. Ele não marcou e não assistiu, mas foi, de longe, o jogador mais perigoso do time aurinegro e de toda a partida como um todo.

Diante da atmosfera que cerca o maior clássico do futebol alemão, não se intimidou, foi o jogador que mais dribles tentou na partida e o segundo que mais faltas sofreu, além de ter acertado a trave azul real em uma ocasião e iniciado a jogada do solitário gol aurinegro. Esteve em evidência sua personalidade inabalável e impressionante coragem.

Na temporada atual, o francês perdeu apenas duas partidas do Dortmund, dando outra demonstração do quão rápida foi sua adaptação ao clube alemão e à nova realidade a que foi apresentado, sobretudo com a disputa da UEFA Champions League.

Vale ressaltar, igualmente, que em fevereiro último o famoso periódico italiano Gazzetta dello Sport publicou lista em que elencou quais seriam os 30 melhores jogadores sub-20 da Europa. Adivinhem quem foi o líder? Sim, o ousado francês do Borussia Dortmund, aquele garoto que no início da temporada passada sequer integrava o quadro de jogadores profissionais do modesto Rennes.

“É um jogador muito interessante. Os primeiros jogos pelo Borussia Dortmund confirmam o seu potencial. Tem todas as qualidades para chegar ao mais alto nível”, disse Didier Deschamps em entrevista coletiva concedida ao final de agosto de 2016.

Em uma temporada e meia, aproximadamente, Ousmane Dembélé rompeu a barreira do anonimato e com naturalidade viu emergir sua estrela. A personalidade com a qual tem lidado com a rapidez dos acontecimentos que o cercam é assombrosa. Se a juventude ainda está estampada em seu rosto, o que seus pés têm feito apresenta a maturidade de um veterano.

Dentre outras coisas, o francês fez com que a Muralha Amarelha não sentisse muito a ausência do armênio Henrikh Mkhitaryan, que partiu para o Manchester United no início da temporada. Ademais, desde que foi chamado à representar seu país pela primeira vez, em setembro de 2016, só ficou de fora de um chamado, vindo a ganhar muito espaço também com Les Bleus.

Hoje, indispensável aos planos de Thomas Tuchel, Dembélé vive um verdadeiro sonho. Embora o Dortmund não dispute o título alemão, segue vivo na UEFA Champions League e na Copa da Alemanha. Conquanto o título europeu não pareça provável, na copa nacional há chance de que o meia-atacante conquiste seu primeiro título como jogador profissional (os aurinegros enfrentam o Bayern de Munique nas semifinais); seria um prêmio para um atleta que despontou rapidamente no Rennes, colocou alguns dos maiores clubes do planeta a seus pés e não nos permite determinar até onde vai seu futebol.

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