quarta-feira, 26 de abril de 2017

Para sair da sombra do rival: a boa temporada do Vitória de Guimarães

A dinâmica da história do futebol português é extremamente fácil de entender, pois é marcada pela alternância de glórias nas mãos de três grandes potências – Benfica, Porto e Sporting. Tal realidade é confirmada pelo fato de que, em todos os tempos, apenas Belenenses e Boavista, em uma ocasião cada, conseguiram tirar o título do Campeonato Português das mãos do “Trio de Ferro”. Nos últimos anos, contudo, uma equipe ascendeu e ameaçou integrar tal rol. Vindo da região do Minho, o SC Braga acumulou boas campanhas e, com isso, acabou impulsionando a evolução de seu grande rival, o Vitória SC, da cidade de Guimarães.



Desde 2003/04, o Braga só deixou de estar entre os cinco primeiros colocados do Campeonato Português em duas ocasiões. O clube alvirrubro se afirmou como a quarta força do país, chegando a ser vice-campeão em 2009/10 e terceiro colocado em 2011/12. No período, venceu uma Taça de Portugal e também uma Taça da Liga.  Não há dúvidas de que o clube por onde passaram os treinadores Leonardo Jardim, Jorge Jesus, Paulo Fonseca e Domingos Paciência se estabeleceu e afirmou.

Na contramão, no mesmo período, o Vitória viu de longe seu rival fazer boas campanhas. Durante esses anos, chegou a ser rebaixado à Segunda Divisão e em apenas uma ocasião terminou o torneio nacional à frente dos Arsenalistas (em 2007/08); situação que pode se repetir em 2016/17. Por ser oportuno, vale mencionar, que em 2012/13 a equipe conquistou a Taça de Portugal.

Atualmente, o time comandado pelo jovem Pedro Martins, ex-jogador do próprio clube, ocupa a quarta colocação do Campeonato Português, possuindo cinco pontos de vantagem em relação a seu rival.

Do lado alvinegro da rivalidade minhota, a tabela de classificação do Campeonato Português até indica um clube que não é primaz na tarefa de evitar gols; mas não deixa dúvidas de que existe um ataque em grande fase.

Com uma linha de frente que só marcou menos vezes que Porto, Benfica e Sporting, o clube tem dado muitas alegrias a sua claque. É fácil apontar duas de suas peças como as mais produtivas do setor: o luso-cabo-verdiano Hernâni (foto) e o franco-malinês Moussa Marega.

Contratado para o time B Vimaranense em 2013, o primeiro é um jogador que sempre se destacou pela qualidade nos dribles e velocidade na condução de bola. É um tradicional ponta. Após sua subida à equipe principal do clube, ganhou tanto destaque que chegou a ser negociado com o Porto. No entanto, após performances ruins, foi emprestado ao Olympiacos e retornou, nesse ano, a Guimarães, onde voltou a viver ótima fase. Em 2016/17, tem 10 gols e cinco assistências, em 28 partidas.



Por sua vez, Marega é jogador mais agudo e, embora também atue pelo flanco, fica mais próximo do gol adversário. Contratado pelo Marítimo em 2015, após se destacar com a camisa do Espérance, da Tunísia, brilhou com a camisa verde-rubra e carimbou seu passaporte para o Porto. Contudo, semelhantemente ao que se passou com Hernâni, não foi bem e foi logo chegou a Guimarães. Na temporada, já anotou 13 tentos e criou quatro assistências, em 28 encontros.

Há outros jogadores com destaque na equipe, como são os casos do meio-campista peruano Paolo Hurtado, que também tem tido importante prestação à frente das balizas rivais, tanto com gols quanto com assistências, o goleiro brasileiro Douglas, ex-Santos, e o lateral direito Bruno Gaspar, de extensa passagem pelas equipes de base da Seleção Portuguesa. Entretanto, no fim do dia, os maiores destaques são seus dois atacantes já mencionados.

É importante salientar, que mesmo tendo perdido seu maior destaque na temporada, o goleador brasileiro Francisco Soares (foto), outro que mostrou excelente desempenho no Estádio D. Afonso Henriques e partiu para o Porto, o clube se manteve em alta. Tiquinho deixou o clube tendo acumulado sete gols em 16 encontros e permitiu ao clube acordo com os Dragões, prolongando os empréstimos de Hernâni e Marega.

“Sabemos da importância dos dois meses que vamos ter pela frente. Estamos focados e sinto uma enorme vontade de toda a gente em querer estar nestas finais que vamos ter pela frente. A equipe está preparada. Temos toda a gente disponível [...], bem a todos os níveis e com enorme vontade de querer fazer uma grande ponta final“, disse o treinador Pedro Martins em entrevista coletiva concedida em 29 de março último.

Na temporada inteira, o Vitória tem apenas seis derrotas, valendo fazer menção ao fato de que metade delas foi contra Porto e Benfica.

Com um estilo de jogo ofensivo, de muita velocidade e aposta em contragolpes, protagonizou partidas interessantíssimas, até mesmo em empates, como nas rodadas 7 e 25 – contra Sporting e Estoril –, nas quais o 3x3 foi o placar sinalizado. É mesmo importante perceber que o time não mostra receio ao enfrentar equipe alguma e raramente muda sua forma de jogar. No momento, acumula nove rodadas de invencibilidade.



Se o inédito título do Campeonato Português é impossível nessa temporada e no curto prazo – a supremacia do “Trio de Ferro” é ainda muito grande – o prêmio para a equipe pode vir na Taça de Portugal.

Os Vimaranenses estão na final da competição e enfrentarão o Benfica; é como dizem: em 90 minutos, tudo pode acontecer. A conquista seria a glória máxima para o clube, que, para além de gozar do prazer do êxito, teria mais uma razão para zombar de seu maior rival. O que mais pode querer uma equipe de fora do eixo dos maiores de Portugal?               

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