segunda-feira, 22 de maio de 2017

Chamado de Rodriguinho coroa temporada excelente

No início do ano a desconfiança no trabalho em que o Corinthians apostava era enorme. Sem conseguir contratar um dos treinadores que tinha em alta conta, o Timão apostou na efetivação de Fábio Carille, algumas vezes auxiliar, em outras interino. As poucas contratações de impacto também sinalizavam nesse sentido. Eis que, silenciosamente, o jovem treinador deu cara a seu time e, nesse ambiente, ascendeu a estrela de Rodriguinho, o mais vital jogador do clube paulistano na atual campanha.



O versátil meio-campista já havia demonstrado em muitas ocasiões ter capacidade técnica para ser útil. Contudo, havia dúvidas (pertinentes, é bem verdade) com relação a seu potencial como referência, liderança. 2017 veio a confirmar que o atleta contratado em 2013, após ganhar destaque no América-MG, possui tais qualificações.

Auxiliado pelas importantes presenças de Gabriel, na contenção, e Jádson, na criação, Rodriguinho passou a ter atribuição cerebrais. O meia se afirmou como aquele jogador que faz o time jogar, recebendo bolas e as distribuindo, movimentando-se por toda a faixa central e chegando ao ataque para balançar as redes rivais, como elemento surpresa - algo que não é novo no Corinthians, que já teve, semelhantemente, Paulinho e Elias.

Com o crescimento da influência de Rodriguinho, o Timão viu suas peças se conectarem. O entrosamento alvinegro só é ideal quando o camisa 26 está em campo. Assim é porque embora não desarme como Gabriel ou crie como Jádson, o atleta faz de tudo um pouco. Mais que isso: faz-se, constantemente, alternativa para seus companheiros.

Seus índices também são excelentes na temporada. Em 24 partidas disputadas, marcou oito tentos (alguns deles decisivos, como os dois que anotou na primeira partida da final do Campeonato Paulista) e ofereceu cinco assistências. Tal marca já se aproxima da de 2016, ano em que foram 10 gols marcados e seis assistências providas. É interessante perceber também o tipo de movimentação que sua função demanda. 

Mediante a análise de seus mapas de calor, fica claro que Rodriguinho circula por toda a faixa de meio-campo, indo à defesa para ajudar na saída de bola e aparecendo no ataque para finalizar. Também é conveniente notar, que nas duas primeiras partidas do Brasileirão, o atleta acertou 85% de seus passes, boa média.

Reprodução: Footstats.net
Diante disso (e da forma com a qual o treinador da Seleção Brasileira, Tite, trabalha), ganhou justo prêmio: foi convocado. Vale fazer referência ao fato de que foi o comandante da Canarinho que, quando treinava o alvinegro, pediu a contratação do jogador junto ao Coelho.

Embora tenha demorado a se encaixar no Timão, por fim, Rodriguinho o conseguiu, e hoje é fundamental para os planos de Fábio Carille. Aos 29 anos, vive a melhor fase de sua carreira, desde que deixou o clube de Belo Horizonte. 

“Rodriguinho foi um dos destaques contra a Colômbia. Foi um dos destaques do Campeonato Paulista. Ele concorria com o Diego, e ia ser uma concorrência boa”, disse Tite na convocação.

Envergando o manto verde e amarelo, o meio-campista deve disputar uma vaga com Paulinho ou Renato Augusto. Já mostrou a competência necessária para atuar em ambas as funções e, certamente, Tite sabe disso. É também válido mencionar o fato de que o jogador, provavelmente, disputaria espaço na Seleção com o palmeirense Moisés, que, por estar lesionado, ainda não ganhou chance.

“Sem dúvida é o melhor momento da minha carreira. O título [do Campeonato Paulista] ainda está fresco na memória, agora a convocação, sentimento muito especial. [...] O título e os gols estão ajudando a provar isso, não tem como discutir que é o melhor momento da minha carreira”, revelou o jogador em entrevista coletiva concedida pouco após a convocação.

Rodriguinho vive ótimo momento técnico, evoluiu taticamente e tem sido decisivo. É a peça que permite o equilíbrio ao Corinthians atual. Sempre existirão questionamentos sobre a justiça nas convocações para a Seleção Brasileira. Diante do universo vasto de atletas de que o técnico da Canarinho dispõe, é normal que assim seja. No entanto, passa longe de ser absurda a convocação do meia corinthiano. Trata-se, pois, o chamado de um prêmio pelo bom desempenho na atualidade.

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