quarta-feira, 7 de junho de 2017

Milan acerta ao apostar em Franck Kessie

Desde a temporada 2012/13 o Milan não chegava à disputa de uma competição europeia. Os últimos anos não foram amistosos com os Rossoneri. No entanto, mesmo com dificuldades, o clube conseguiu se classificar para a disputa da Europa League da próxima temporada. É pouco diante de sua rica história, mas é um início. Para continuar no caminho certo, de reconstrução, renovou o contrato do treinador Vincenzo Montella e anunciou sua primeira contratação: o promissor Franck Kessie, uma das gratas revelações da última edição da Serie A.



Marfinense de 20 anos, o meio-campista brilhou intensamente na campanha recém-finda, sobretudo em sua primeira metade. Inspirado por Yaya Touré, seu compatriota e craque do Manchester City, e por Michael Essien, ganês que brilhou com as camisas de Lyon e Chelsea na década passada, Kessie foi um dos responsáveis pela brilhante campanha da Atalanta no último Campeonato Italiano.

No meio-campo, é capaz de fazer de tudo. Se ainda não se tornou exemplo de estabilidade, revela que com um pouco mais de tempo e maturidade está destinado à grandeza. Mais do que suas características como futebolista, é seu destemor que chama atenção. O atleta não se intimida durante as partidas. Não se deixa apagar quando as coisas não saem bem. Sua técnica e personalidade são evidentes. Trata-se do tipo de atleta capaz de carregar consigo a missão de equilibrar a intermediária de qualquer time.

Jogador de imposição física, Franck é mais um exemplar de box-to-box­. Seu passe é bom (apresentou média de 84,4% de êxito na temporada 2016/17) e sua movimentação intensa. O marfinense foi o motorzinho da Atalanta, ajudando tanto os defensores na saída de bola quanto os jogadores mais ofensivos na recepção da mesma, mais à frente. Defensivamente, ainda precisa melhorar, entretanto.

Mesmo não sendo um volante de contenção, sua taxa de aproveitamento desarmes e interceptações é ainda baixa. Em média, tenta apenas 1,2 por jogo, estatística válida para ambos os critérios citados. Contudo, o que realmente é preciso trabalhar é a coordenação para fazer as citadas ações. Apenas 29% dos desarmes tentados por si foram completados. Para se ter uma ideia, jogadores destacáveis na Serie A, como Lucas Biglia, Kevin Strootman, Allan ou Radja Nainggolan superam os 40%. É algo a trabalhar.

Não obstante, sua missão não é carregar o piano milanista, mas manter a orquestra funcionando, fazer de tudo um pouco. É por essa razão que o clube acerta em cheio em sua contratação. Conquanto ainda apresente alguma precipitação em algumas ações, o caráter coletivo e agregador do jogo de Kessie pode ser fundamental para a manutenção do renascimento da equipe de Milão.

Hoje, o Milan não conta como muitas alternativas para o meio-campo defensivo e central. Sua referência segue sendo o envelhecido Riccardo Montolivo. Por sua vez, o garoto Manuel Locatelli demonstrou enorme potencial, porém ainda não se confirmou realidade. Já o restante das alternativas é demasiado irregular. São os casos, por exemplo, de Juraj Kucka, José Sosa e até mesmo do talentoso Mario Pasalic. Faltou na temporada alguém apto a manter, a partir do meio-campo, o funcionamento da equipe. Essa figura, certamente, pode ser Kessie.

Capaz de arrancadas de puro instinto, o marfinense também pode se afirmar inspiração para seus companheiros. Sua facilidade para chegar à área adversária o torna raro. Além disso, a forma como interpreta os espaços no campo possibilita sua atuação como elemento surpresa, outro ponto positivo a ser explorado pelo treinador Vincenzo Montella.

A despeito disso, há mais um contraponto necessário de ser feito. Kessie precisa controlar melhor a agressividade de seu jogo. Em 2016/17, recebeu cinco cartões amarelos, não é muito. Todavia, foi expulso duas vezes. Passando a atuar no recordista de cartões vermelhos da última campanha (com 13), certamente terá que trabalhar tal característica.

O Milan ainda não parece ter retornado aos tempos em que contratava algumas das maiores estrelas do futebol mundial, mas vai encontrando novo e positivo caminho. Possui muita juventude em seu elenco. Tem trazido jogadores que precisam se provar, casos de Gerard Deulofeu e Suso, por exemplo, e apostado na prata da casa, como Gianluigi Donnarumma, Davide Calabria e Locatelli não nos deixam mentir. É um caminho. O meio-campista recém-chegado tem tudo para se encaixar nessa filosofia de trabalho. Além dele, o clube anunciou também a importante contratação do lateral esquerdo suíço Ricardo Rodríguez, ex-Wolfsburg.

“Conversei com o treinador e ele me disse: ‘venha para cá que você se tornará um grande jogador’, disse o jovem em sua primeira entrevista à TV Milan.


Contratado por empréstimo de dois anos, com obrigação de compra no importe de 20 milhões de euros, Kessie é uma aposta e prova de que o Milan voltou a ter ambição. Nessa altura, convencer um jogador pretendido, dentre outros, por Chelsea, Arsenal e Manchester United a firmar pelo Diavolo é prova suficiente disso. Ladeado pelas referências técnicas de Montolivo e Giacomo Bonaventura, o ex-jogador da Atalanta tem tudo para brilhar, crescer com o clube e se transformar em peça fundamental em mais uma tentativa de renascimento dos Rossoneri.

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