quinta-feira, 8 de março de 2018

Nemanja Matić, o pilar invisível do United de José Mourinho

Aos 29 anos, bicampeão inglês e estabelecido no cenário do futebol internacional, o meio-campista sérvio Nemanja Matić não é alguém que chame a atenção. É claro que, com 1,94m de altura, ele não passa despercebido. Ainda assim, sua contribuição é muitas vezes subestimada, passando o jogador ofuscado pela estrela de seus companheiros. No entanto, a sólida campanha do Manchester United na Premier League passa, diretamente, pelos pés seguros de seu camisa 31.


Foto: Getty Images



A relação de Matić com o treinador do clube mancuniano, José Mourinho, é antiga. Foi o português que requisitou seu retorno ao Chelsea. O sérvio havia passado pelo clube londrino bem no início de sua carreira, mas seu talento só foi desenvolvido em sua passagem pelo Benfica - quando foi envolvido na negociação que levou o brasileiro David Luiz aos Blues.

O início de uma relação frutífera em Londres

Ele havia deixado Stamford Bridge pela porta dos fundos, quase anonimamente. Voltou causando um impacto de 25 milhões de euros no orçamento do Chelsea, bancado pelo comandante, que chegou a declarar publicamente que o meio-campista era “nosso melhor jogador”. Isso em um time que contava com a qualidade de Eden Hazard e Diego Costa.

Foto: Stu Forster/Getty Images
Mou não falava apenas de habilidade com a bola nos pés. Seu discurso não era sobre gols, assistências ou dribles, tratava de estabilidade e segurança. Especialmente no título da Premier League da temporada 2014/15, Matić foi um monstro. Importante na recuperação, manutenção, gestão e destinação da bola, foi o coadjuvante perfeito; forjou-se a barreira invisível que colocou em evidência as assistências de Cesc Fàbregas, os dribles de Hazard e os gols de Costa.

2015/16 foi um ano atípico para o Chelsea e para o sérvio, que não fez boa campanha. Mourinho também perdeu o emprego e os personagens ficaram afastados por uma temporada e meia. Nesse ínterim, o italiano Antonio Conte assumiu as rédeas dos azuis de Londres e os conduziu a mais um título nacional. Matić foi novamente importantíssimo.

Por outro lado, José passou a comandar o Manchester United e, enquanto o Chelsea ganhava o campeonato inglês, o treinador passava dificuldades. Seus dois contratados mais importantes, Paul Pogba e Henrikh Mkhitaryan, não lhe entregaram a qualidade esperada. Foi comum ver o time jogar com três meio-campistas, com Ander Herrera e Marouane Fellaini se juntando a Pogba, em prol da consistência.

A necessidade de mudanças em Manchester

Foto: Gareth Copley/Getty Images
Houve poucos resultados: os Red Devils tiveram a segunda melhor defesa da competição ao custo de ter apenas o oitavo melhor ataque do certame, ser o time que mais empatou, com 15 partidas em igualdade, e terminar na sexta colocação. Ficou claro que a estabilidade não poderia vir a esse preço. Então, o comandante do clube mancuniano foi atrás de seu fiel escudeiro.

Se havia feito a direção do Chelsea gastar 25 milhões de euros em 2014, Mourinho convenceu o comando do Manchester United a desembolsar mais 20, em 2017. Com N’Golo Kanté em grande forma, o clube londrino entendeu que era uma boa oportunidade e deixou o meio-campo sérvio partir para um rival direto na disputa pelas primeiras posições da EPL.

Muitas críticas podem ser feitas à gestão de Mou em Old Trafford. Mas a chegada de Matić é um aspecto que não pode ser colocado em xeque. Exceção feita ao goleiro David De Gea, é o volante a peça mais importante da boa temporada que os Red Devils fazem. A despeito das críticas feitas ao modo com que o United joga, é impossível dizer que um time que, passadas 29 rodadas, soma 62 pontos e ocupa a segunda colocação em seu campeonato nacional é ruim.

O discreto e fundamental impacto de Matić

Tudo isso passa pelos pés de seu camisa 31. A postura dominante que exibe na meia cancha impressiona. São suas as chuteiras que mais tocam na bola durante os jogos do Manchester United - em média 71 vezes por jogo (valendo ressaltar que o atleta jogou todos os jogos da Premier League). 

Mapa de calor de Matic na partida contra o Chelsea (26/02)
Foto: Reprodução/Whoscored.com
Outro ponto que demonstra a importância do jogador é o fato de que só os defensores Mathias Jørgensen e Christopher Schindler, ambos do Huddersfield Town, têm mais interceptações do que Matić, em toda a liga. 

No final de janeiro último, em entrevista ao Sport 360º, seu compatriota e ídolo do Manchester United, Nemanja Vidić, resumiu bem Matić: “ele é calmo com a bola, dá estabilidade à equipe e controle no meio do campo”.

Sempre postado à frente da primeira linha de defensores, o sérvio se tornou uma referência. Ajuda a tirar os zagueiros de situações de perigo, lhes dá segurança para eventuais avanços, com frieza, trabalha bem a saída de bola e eventualmente ainda faz a cobertura dos laterais. Os defensores e meio-campistas que ficam ao seu redor sabem que, se as dificuldades vierem, Matić estará bem posicionado para lhes livrar a cara.

Enquanto estrelas como o criticado Pogba, De Gea, Romelu Lukaku ou Alexis Sánchez são as peças que mais chamam a atenção no estádio Old Trafford, é o camisa 31 mancuniano quem, semana após semana, mantém o ritmo do time. Seu trunfo não são os gols (curiosamente até marcou um importantíssimo para a vitória contra o Crystal Palace), nem as assistências. Sua presença muitas vezes sequer é percebida e essa é de fato sua missão. Matić é o muro invisível do United, um pilar imprescindível para Mourinho.

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