Estrela Vermelha e Partizan: o Dérbi Eterno

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Estrela Vermelha e Partizan: o Dérbi Eterno

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Prossigo na empreitada sobre os Clássicos do Mundo trazendo histórias sobre o mais quente encontro da Sérvia e da antiga Iugoslávia: o dérbi eterno, Estrela Vermelha e Partizan.




Formados após a Segunda Guerra Mundial, os rivais em questão são equipes não tão antigas. O Estrela Vermelha, clube cuja torcida é conhecida como Delije, ou “Heróis”, foi fundado em 4 de março de 1945. Seu rival, o Partizan, lembrado pela alcunha de Grobari, “Coveiros”, estabeleceu-se sete meses depois, em 4 de outubro. A origem da rivalidade entre as equipes parte dos grupos responsáveis por sua  fundação.

O Estrela Vermelha tem sua origem ligada a um grupo chamado Aliança Unida da Juventude Anti-Fascista (United Alliance of Anti-Fascist Youth). Por outro lado, o Partizan foi fundado pelo Exército Comunista. Durante grande parte de suas histórias, os clubes foram mantidos pelo Estado. O Estrela Vermelha promovido pela Polícia e o Partizan pelo Exército. Aliás, vem desta ligação a alcunha de “Coveiros” atribuída ao clube, além da cor predominante preta do uniforme.

Por outro lado, a torcida do Estrela Vermelha ainda é reconhecida internacionalmente por, supostamente, ter maiores valores morais e ser mais politizada que a do Partizan. Exemplo disso é o fato de que durante muitos anos não usaram palavrões, presentes desde sempre entre os torcedores de seu maior rival.

Antes do fim da Iugoslávia, o clássico já era o maior do território, mas havia ainda fortes laços de rivalidade com os clubes croatas, Dinamo Zagreb e Hajduk Split, considerados, respectivamente, terceira e quarta forças do futebol iugoslavo. Se havia uma ocasião em que o ódio entre os rivais sérvios se abrandava era quando algum deles ia jogar contra alguma equipe croata.

Nessas ocasiões, formava-se um verdadeiro confronto entre os nacionalistas sérvios e os separatistas croatas. Esta disputa era ainda estimulada por setores do governo sérvio, que tentava assim afirmar a superioridade de sérvios ante os vizinhos croatas. Com o desmembramento da Iugoslávia nos anos 1990, a competição entre as ditas equipes diminuiu, aumentando a pujança do dérbi de Belgrado.

A rivalidade sérvia acontece também em outros campos que não o futebol. As equipes são também tradicionais em basquete e handball.


Voltando à história, os primeiros registros datam do final da década de 1940. O clássico começou a ser disputado em janeiro de 1947 e o Estrela Vermelha foi o vencedor do encontro inicial, 4 a 3. Foram disputadas desde então 233 partidas, com vantagem para os Delije. São 104 vitórias do Estrela Vermelha, contra 73 do Partizan. Aconteceram ainda 56 empates.

Nos títulos, a superioridade também assenta no lado vermelho e branco da rivalidade. Ambos os clubes possuem 25 campeonatos nacionais, contando todos os tipos de campeonatos nacionais que disputaram (Sérvio e Iugoslavo). O Estrela Vermelha também conquistou 24 copas nacionais, contra 12 do Partizan. Entretanto, o ponto alto da história alvirrubra superou as barreiras da nação. Em 1991, o clube conquistou uma Copa dos Campeões da Europa, além do Intercontinental, ao final do ano.

Nos últimos tempos, porém, a superioridade tem sido do Partizan, vencedor dos últimos seis campeonatos.

Com tantas diferenças entre “Heróis” e “Coveiros”, não se pode deixar de comentar o fato de a rivalidade ter se tornado muito violenta, uma das mais sangrentas do mundo. As torcidas organizadas, pelas origens dos clubes, acabaram sendo reduto de agentes e ex-agentes da polícia, do exército e de forças paramilitares.

O último clássico entre as equipes, em 18 de maio de 2013, teve como saldo final, além de uma vitória do Partizan por 1 a 0, a prisão de 104 ultras de ambas as equipes, por confrontos antes e depois da partida, e pelo arremesso de fogos no gramado. Deve-se ressaltar, ademais, que as torcidas organizadas dos clubes ainda exercem grande influência na Sérvia, inclusive na cena política.

Alguns jogadores já se atreveram a sair de um rival para o outro — poucos é verdade. Dentre eles, um caso recente envolveu um brasileiro. O atacante Cléo, que atuou por Atlético Paranaense e Figueirense, deixou o Estrela Vermelha e assinou com o Partizan. Após inúmeras ameaças, o jogador, que deixou sua marca em ambos os clubes (anotou 22 gols, em 41 jogos, pelo Estrela Vermelha; e 34, em 47 encontros, pelo Partizan), decidiu deixar a Sérvia e foi para o futebol chinês. Depois, mudou-se para o Kashima Reysol, do Japão. Ao todo, 19 jogadores fizeram a troca direta de um rival para o outro.

Apesar da selvageria, e mesmo diante de tantas restrições impostas ao longo do mundo ao espetáculo que é o futebol, este jogo conserva ainda muito do que é o espetáculo das arquibancadas. Um sem número de bandeiras, cânticos, e sinalizadores costumam marcar presença. A Sérvia pode até não ter o melhor futebol do continente europeu, mas seu maior clássico é sempre uma ocasião a ser apreciada.



3 comentários:

  1. realmente o derby da sérvia e uns dos mais emocionantes e violento

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  2. Kashima Reysol é do Japão... apenas para servir de nota.

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  3. Paulo, agradeço sua participação, mas não foi falado que o Kashima era da China. O Cléo atuou no Guangzhou Evergrande - esse, sim, chinês - antes de ir para o Kashima Reysol.

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