O Futebólogo | O futebol como arte, história e memória

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Obilic: Quando futebol e crime foram um só

Não é mistério para ninguém o fato de que, na Sérvia, o futebol é dominado por duas grandes potências. Mesmo quando o campeonato local ainda abarcava clubes de outros países eslavos, nos tempos em que a Iugoslávia os unia, os dois gigantes de Belgrado já se destacavam. Estrela Vermelha e Partizan são, historicamente, as equipes mais poderosas da região. Em 1997-98, porém, um nanico subjugou os gigantes. Valendo-se de todos os artifícios possíveis, o FK Obilić promoveu um hiato na habitual história do futebol local.

Obilic 1997-98
Foto: Desconhecido/Arte: O Futebólogo

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Coisas que só acontecem com o Tottenham

Não chega a ser um ritual, mas, no futebol, as massas são a classe de alimento mais escolhida pelas comissões técnicas antes de uma partida — o macarrão sendo, talvez, a opção mais comum. Embora importante, esse não deve ter sido um assunto discutido quando o Tottenham se preparou para a 38ª rodada da Premier League 2005-06. O derby londrino contra um West Ham que nada aspirava na competição não era o jogo mais difícil do mundo. E bastava vencer. Somando três pontos, o time consolidaria a quarta colocação e disputaria sua primeira Liga dos Campeões, após a reformulação da competição no início da década de 1990. Mas não é por acaso que o Tottenham é tido como um dos times mais azarados do planeta. Typical Tottenham é a expressão utilizada a cada vez em que os Spurs projetam sucessos, fazem por onde obtê-los, mas morrem na praia na hora H. Como naquele 7 de maio de 2006.

Defoe Carrick Tottenham
Foto: Roy Beardsworth/Offside/Arte: O Futebólogo
* Este texto apareceu primeiro na revista Relvado #12

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Promessa hoje, realidade amanhã? — Versão 2020

O ano de 2020 foi o mais estranho que poderia ser. É claro, dificilmente seria diferente, tendo em vista a pandemia que assola o mundo. O futebol não permaneceu imune a isso, tendo passado por um período de paralisação e, dentre outras questões, presenciando a diminuição da margem para investimentos, quando comparada a dos últimos tempos. Para alguns garotos, tal acabou significando maiores oportunidades em suas equipes. E isso é uma questão que não muda, independentemente do que aconteça: o futebol sempre apresenta promessas. Com todas as suas peculiaridades, 2020 não foi diferente. Aqui, você conhece alguns dos garotos que despontaram, ou se afirmaram no futebol, mundo afora, no último ano.

Promessas 2020 Veron Kulusevski Saka Bellingham Doku
Arte: O Futebólogo

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

1969-70: Quando o Cagliari levou o Scudetto e fez a festa na Sardenha

A história do futebol italiano indica o domínio absoluto de uma região sobre as demais. O norte do país, representado por Juventus, Internazionale e Milan, concentra uma maioria suprema de conquistas. Essa situação contrasta, frontalmente, com a vivida no outro extremo do mapa, refletindo o desenvolvimento econômico da nação. Ao sul, somadas as ilhas que compõem o território do Bel Paese, três títulos italianos são tudo o que se encontra. Dois deles por obra de um Napoli impulsionado por Diego Maradona. O outro, anos antes, colocou a Sardenha em festa.

Cagliari 1969 1970
Foto: Desconhecido/Arte: O Futebólogo

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

A revolução promovida por Jägermeister e Eintracht Braunschweig

A exceção que se transformou na regra. Até os anos 1970, camisas de futebol e propagandas não tinham quase nenhuma relação de afinidade, e o que existia se restringia, essencialmente, às empresas fornecedoras de material esportivo. Marcas de outros ramos não tinham espaço. Os fardamentos das equipes não eram vistos como um espaço potencialmente explorável por publicitários. Até que a necessidade de promoção de uma nova bebida se uniu à crise de um time; até que Jägermeister e Eintracht Braunschweig firmaram um pacto.

Eintracht Braunschweig Jagermeisteir
Foto: Imago/Arte: O Futebólogo

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Quando o Dinamo Tbilisi orgulhou a Geórgia e conquistou a Europa

No mínimo, soa curioso falar em uma grande equipe de futebol vinda da Geórgia. Sobretudo após a desfragmentação da União Soviética, os clubes de outras nações que não a Rússia e a Ucrânia acabaram marginalizados. A falta de um campeonato competitivo, além da perda de apoio financeiro de instituições públicas, ocasionou um enfraquecimento que parece incontornável, conforme os anos passam. Nem sempre foi assim. Nos anos 1970 e 80, o Dinamo Tbilisi foi um dos suprassumos do futebol soviético, dando-se a conhecer também continentalmente.

Dinamo Tbilisi Winners' Cup 1981
Foto: Sakinformi Photo Collection/ Arte: O Futebólogo

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Como o Wolverhampton influenciou a criação da Copa dos Campeões da Europa

Boa parte dos grandes eventos de todos os tempos teve seu início impulsionado por alguma circunstância extraordinária. Basta ir aos livros de História para confirmar ser esta uma realidade. Nesse sentido, o futebol registra uma dívida importante com o Wolverhampton. Não fossem os Wolves, talvez a Copa dos Campeões da Europa nunca tivesse sido criada. Com otimismo, pode-se pensar que sua gênese teria demorado mais. Eram os anos 1950, e os ingleses inauguravam os holofotes do estádio Molineux.

Wolves Honved 1954
Foto: Desconhecido/Arte: O Futebólogo

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

1978: O ano em que o Brasil se rendeu ao Guarani

Eram épocas de vacas magras. Embora o Guarani viesse disputando a primeira divisão brasileira desde 1973, a margem para investimentos era minúscula. Não era possível fazer grandes contratações, nem, tampouco, assegurar os préstimos de um treinador de ponta. Também não se podia negar que o Bugre vinha mal nos confrontos ante a rival Ponte Preta, vice-campeã estadual no ano anterior. Entretanto, em 1978, havia o que explorar nas categorias de base. Com sorte e precisão, as coisas poderiam dar certo. Foi exatamente o que aconteceu.

Guarani 1978
Foto: Guarani/Arte: O Futebólogo

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Barcelona 1992: O ouro olímpico que orgulhou toda a Espanha

Seja pelo caráter amador que acompanha os Jogos Olímpicos, o que, no âmbito do futebol, provoca a restrição de aceitação apenas de atletas sub-23, além de três exceções, ou pela competição com as Copas do Mundo, é certo que o futebol não clama a presença de tantos holofotes nas Olimpíadas. Há exceções. Uma delas aconteceu em 1992, quando uma geração liderada por Abelardo, Pep Guardiola, Luis Enrique e Kiko levou milhares de pessoas ao Camp Nou e orgulhou a Espanha.

Spain Olympics 1992
Foto: FIFA/Arte: O Futebólogo

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

De lançar Maradona a obter reconhecimento internacional: os anos vitoriosos do Argentinos Juniors

A identificação dos clubes bonaerenses com os bairros em que estão lotados é um fenômeno interessante e que marca, fortemente, o futebol argentino. Desse modo, antes de ser um clube de Buenos Aires, o Argentinos Juniors se faz uma marca de La Paternal. Em que pese o fato de, em termos nacionais, não ser possível comparar sua influência com a de outras equipes, o Bicho Colorado registrou páginas históricas nos anos 1970 e 1980. Naqueles anos, não foi um time qualquer, seja pelos resultados, o estilo de futebol praticado, ou pela revelação de talentos.

Argentinos Juniors 1985
Foto: El Gráfico/Arte: O Futebólogo