sexta-feira, 4 de setembro de 2015

2009-10: O ano em que os Rosaneros beliscaram a UCL

Tradicionalmente, quando pensamos no futebol italiano três grandes forças nos vêm à mente: Juventus, Milan e Internazionale, os três maiores Campeões Italianos da história. Se forçarmos só mais um pouco nossas mentes nos lembraremos facilmente de equipes tradicionais como Lazio, Roma e Torino, isso sem falar em Genoa, Sampdoria, Napoli, Fiorentina e Bologna, por exemplo. Todavia, na temporada 2009-2010 a grande nota positiva do futebol italiano veio da Sícilia, onde o Palermo, clube que nunca conquistou o Campeonato Italiano, brilhou e quase conquistou uma vaga na UEFA Champions League.



No ataque, um trio infernal desfilou grande futebol

Em 2009-2010, o Palermo terminou a temporada dois pontos atrás da quarta colocação, que deu à Sampdoria uma vaga na fase de classificação para a UEFA Champions League. Isso só foi possível devido ao desempenho de um trio de atletas que se complementava com perfeição. Formado por um ídolo experiente e dois garotos sul-americanos, o clube siciliano teve o quarto melhor ataque da competição, consagrando a tríade formada por Fabrizio Miccoli (foto), Edinson Cavani e Javier Pastore.

Se o clube marcou um total de 59 gols na Serie A, isso se deveu em enorme medida ao trio, responsável por 35 tentos (59% do total)Miccoli, conhecido como o “Romário da Sicília”, foi o melhor dos integrantes do ataque. Com 30 anos, o italiano fez chover, marcando 19 gols e criando 10 assistências. Muitos dos tentos foram anotados em partidas importantes como o double marcado na derrota perante a Inter de José Mourinho, por 5x3, ou um gol marcado contra o Milan fora de casa, na vitória por 2x0. Além disso, Miccoli marcou um hat-trick em uma partida contra o Bologna.

Cavani, então um garoto de 22 anos, foi às redes 13 vezes, começando a temporada com tudo, marcando contra o Napoli – que seria sua casa na temporada seguinte –, e fechando o ano com chave de ouro, balançando as redes da Atalanta duas vezes. Por último, Pastore, um jovenzinho de 20 anos que havia quase conseguido ajudar o Huracán a vencer ao título argentino, já mostrava suas credenciais. Se não marcou muitos gols (três apenas), brilhou nas assistências, nove no total.

A mistura da categoria de Pastore na armação, da habilidade de Miccoli e do faro de artilheiro de Cavani foi algo extremamente agradável de se acompanhar e é algo de que os torcedores do clube certamente não se esquecem.

No ano seguinte, Cavani partiu, mas Miccoli e Pastore seguiram mais tempo no clube. Enquanto o argentino ficou mais uma temporada, na qual registrou impressionantes onze gols no Calcio, o italiano ficou até 2012-2013, deixando o clube como capitão.
Alguns resultados ficarão marcados para sempre

Além da categoria individual do trio infernal do ataque, o Palermo é lembrado por alguns resultados importantíssimos – nem sempre vitoriosos. Em uma temporada em que a Inter brigou a duras penas com a Roma pelo título, o Palermo protagonizou jogos duros contra ambos os times.

Leia também: Times de que Gostamos: Internazionale 2009-2010

Contra a equipe de Milão, uma derrota por 5x3 (foto) e um empate por 1x1 mostraram a força dos Rosaneros. No primeiro encontro, se a vitória não veio, o espetáculo compensou. Samuel Eto’o, Mario Balotelli e Miccoli marcaram dois gols cada em um grande jogo. Aliás, o futuro campeão chegou a abrir 4x0 no placar, vendo os sicilianos diminuírem para 4x3.

Além disso, o Palermo protagonizou um movimentado empate por 3x3 contra a Roma, venceu as duas partidas contra a Juventus (ambas por 2x0), bateu o Milan também duas vezes (a primeira por 2x0 e a segunda por 3x1), e brilhou em outras partidas esparsas, como uma contra a Lazio, vencida por 3x1.

No fim das contas, o problema Rosanero foi em grande medida os resultados contra clubes menores, com derrotas importantes para Parma (1x0), Bologna (3x1), Bari (4x2), Udinese (3x2), Catania (2x0), e muitos empates – a equipe foi a quinta que mais empatou no campeonato, com 11.

O jogo da equipe era bonito

Com um 4-4-2 muito bem montado, o time tinha uma boa defesa composta por Mattia Cassani, Simon Kjaer (outro grande destaque da temporada), Cesare Bovo e Frederico Balzaretti; um meio-campo com equilíbrio entre destruição e construção, que continha jogadores como Antonio Nocerino, Fábio Simplício, Mark Bresciano, Fabio Liverani e Giulio Migliaccio – o principal volante –; e o já citado e poderoso ataque.

A bola fluía muito bem nos pés de laterais, meias e atacantes. Ofensivos, os laterais auxiliavam muito na criação dos ataques, com poderosas arrancadas e muitas assistências. Pelo lado direito, Cassani foi responsável por cinco assistências e pela faixa canhota Balzaretti deu seis passes para gols. No meio-campo, Nocerino era um termômetro, aumentando e diminuindo o ritmo do jogo conforme a necessidade. Tudo isso, aliado à classe de Pastore, Cavani e Miccoli, revelou ao mundo um grande e surpreendente time vindo da Sicília.

Além disso, havia boas opções no banco de reservas, como os atacantes Igor Budan, autor de cinco gols na campanha, e Abel Hernández, que marcou sete tentos, e jogadores conhecidos como Manuele Blasi, ex-Juventus, e o goleiro brasileiro Rubinho. Cabe ressaltar, também, que a equipe teve dois treinadores no período: Walter Zenga e Delio Rossi.

À época, Cassani, Balzaretti, Nocerino e o goleiro Salvatore Sirigu (outra peça vital da equipe) ganharam oportunidades na Seleção Italiana e, felizmente para eles, não foram chamados para a Copa do Mundo de 2010, em que a Azzurra fracassou retumbantemente, parando ainda na fase de grupos.

De 2009-2010 para 2010-2011 o clube perdeu Kjaer para o Wolfsburg e Cavani para o Napoli, mas conseguiu fazer uma boa campanha, terminando na oitava posição. Daí em diante, o time entrou em queda livre, com um 16º lugar em 2011-2012 e um rebaixamento em 2012-2013.

Com o retorno à Serie A para a temporada 2014-2015, o time fez campanha segura, sobretudo em função do desempenho da excelente dupla de frente, composta pelos argentinos Paulo Dybala e Franco Vázquez (naturalizado italiano; foto). Com a saída do primeiro para a Juventus, é difícil prever como será o desempenho Rosanero, mas o início, com duas vitórias em dois jogos, anima.

Será possível que o clube repita o desempenho de 2009-2010?

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