quarta-feira, 7 de outubro de 2015

2001-2002: A última boa temporada do Leeds

Clube tradicional na Inglaterra, que conta com muito apelo do público em geral e sonha em voltar a disputar a Premier League, o Leeds United passou nos últimos anos por diversas dificuldades financeiras e vem se estabelecendo como um clube de segunda divisão – embora tenha chegado à terceira na última década. No entanto, no começo deste século o time chegou a fazer campanhas sólidas, tendo sido a de 2001-2002 a última boa, após um ano memorável em 2000-2001, quando chegou às semifinais da Champions.



Dois australianos e um irlandês comandavam o ataque

Muito lembrado por sua passagem pelo Liverpool, o polivalente Harry Kewell foi formado no Leeds United, clube em que se projetou e muito se destacou entre 1996 e 2003. Atuando na maior parte das vezes aberto pelo flanco esquerdo, como um winger, o jogador era o perfeito assistente, indo à linha de fundo com habilidade e mostrando muita qualidade nos cruzamentos, que procuravam dois companheiros insaciáveis: Mark Viduka e Robbie Keane.

A despeito disso, na temporada 2001-2002, Kewell também mostrou muito faro de gol, anotando 11 gols. Contudo, na equipe, o mais prolífico dos homens de frente foi seu compatriota e junto com ele um dos mais importantes jogadores da história do futebol da Oceania, Viduka. Centroavante matador, o jogador chegou ao Leeds vindo do Celtic na temporada 2000-2001 fazendo o que melhor sabia: gols. No primeiro ano foram 22 e no ano seguinte 16.

Por último, Robbie Keane, então um garoto de 21 anos recém-contratado em definitivo, após empréstimo e uma passagem fraca pela Internazionale, foi peça importante, balançando as redes nove vezes e dando grande movimentação ao ataque, sempre se colocando bem para marcar gols. Embora tanto Keane quanto Viduka fossem jogadores que trabalhavam bem na área adversária, os diferentes estilos dos jogadores se completavam, fazendo sucesso juntos.

Curiosamente, mesmo com um ataque que continha jogadores muito eficientes, o setor não obteve marca tão expressiva na Premier League. Embora tenha ficado na quinta posição, atrás de Arsenal, Liverpool, Manchester United e Newcastle, classificando-se para a UEFA Cup, o ataque foi apenas o sétimo melhor do torneio sendo a defesa o diferencial do time.

Capitão, Ferdinand era a referência de uma grande defesa

Comandada pelo jovem e já capitão Rio Ferdinand, a defesa do Leeds foi a terceira melhor da Premier League, atrás apenas das de líder e vice-líder. Isso se deveu em grande medida à grande influência de Ferdinand, à época com 23 anos, mas já mostrando grande personalidade e presença.

Com o beque da Seleção Inglesa como grande pilar na retaguarda, o Leeds só perdeu uma partida por mais de dois gols de diferença na Premier League. O curioso é que o time foi o terceiro que menos perdeu na competição, novamente atrás apenas dos dois melhores times do torneio. O problema da equipe foi o excessivo número de empates, 12. Outro dado que chama a atenção revela que em três das oito derrotas do time, Ferdinand foi ausência, o que reitera a importância que o beque tinha à época.

Além dele, o restante do setor defensivo era experiente e muito seguro. As presenças de jogadores regulares e de boa qualidade, como o lateral direito Danny Mills, o então jovem zagueiro Jonathan Woodgate (ambos com passagens pela Seleção Inglesa) e os laterais esquerdos Ian Harte (que por anos defendeu a Seleção da Irlanda) e Dominic Matteo (também opção para a zaga), garantiam solidez ao setor, o que, combinado com a presença de um craque – Ferdinand –, fez da defesa o ponto forte do Leeds.

Outros bons jogadores completavam a equipe

Além dos destaques já citados, o time tinha algumas outras figuras que funcionavam como excelentes coadjuvantes. Pela faixa direita do meio-campo, Lee Bowyer fazia papel importante, semelhante ao de Kewell pelo outro flanco. Seu problema, no entanto, era a vida extracampo (bem como a de outros companheiros, como Woodgate e o próprio Ferdinand).

Leia também: Times de que Gostamos: Leeds United 1973-1974

No meio-campo o experiente David Batty, integrante das Seleções da Inglaterra que disputaram a Euro 1992 e a Copa do Mundo de 1998 (tendo inclusive errado o pênalti decisivo para a eliminação inglesa contra a Argentina), era uma das grandes referências. Criado no próprio clube, voltou em 1998 em baixa e foi fulcral para os últimos bons resultados do time, sendo fundamental na recuperação de bolas e na distribuição das mesmas.

Outro jogador que desempenhou papel importante na campanha foi Robbie Fowler (foto, à direita), ídolo do Liverpool, que chegou no meio da temporada e foi o autor de 12 gols na campanha. Por fim, para o setor de meio, o francês Olivier Dacourt, lembrado por sua passagem pela Roma, era opção importante, bem como Alan Smith (foto, à esquerda), jogador versátil que ficou muito vinculado a sua passagem pelo Manchester United.

Os resultados

Além do quinto lugar na Premier League, o Leeds United disputou a UEFA Cup, parando nas oitavas de finais, contra o PSV Eindhoven, que à época contava com jogadores da qualidade de Mark van Bommel, Mateja Kezman, Dennis Rommedahl e Jan Vennegoor of Hesselink em seu elenco. Na League Cup, também parou nas oitavas, eliminado pelo Chelsea com um par de gols de Eidur Gudjohnsen; e na FA Cup foi eliminado precocemente, na terceira fase, contra o Cardiff City.

Uma sequência decadente

Evidentemente, lembrar a temporada 2000-2001 do clube, campanha em que o time ficou em quarto na Premier League e chegou às semifinais da UEFA Champions League, traria a lembrança de um ano mais brilhante, mas o ano de 2001-2002 tem grande valor em razão de ter sido o último em que os Peacocks foram bem.

Após a temporada em foco, o time afundou-se em problemas financeiros. O Leeds lutou contra o rebaixamento em 2002-2003, terminando em 15º, e em 2003-2004 não resistiu, descendo à Championship, de onde não mais voltou, chegando inclusive a ser rebaixado à League One em 2006-2007.

Desde 2010-2011 de volta a Championship, o time não esboça uma reação capaz de trazê-lo de volta à Premier League, ficando permanentemente no meio da tabela e impedindo o torcedor de sonhar com novos anos de glória, como alguns vividos na década de 70 e outros entre a segunda metade da década de 90 e o início do século XXI.

Time Base da temporada 2001-2002: Martyn; Mills, Ferdinand, Matteo (Woodgate), Harte; David Batty, Eirik Bakke (Dacourt), Lee Bowyer, Harry Kewell; Robbie Keane (Fowler) e Mark Viduka. Téc.: David O’Leary 

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