quinta-feira, 28 de abril de 2016

Seleções de que Gostamos: Turquia 2002

Após rememorar o esquadrão polonês da Copa do Mundo de 1982, falo da surpreendente Turquia de 2002, terceira colocada no Mundial disputado em Japão e Coreia do Sul.


Em pé: Rustu; Alpay, Davala, Ilham, Korkmaz, Sukur;
Agachados: Fatih, Basturk, Tugay, Emre, Penbe.


Seleção: Turquia

Período: 2002

Time base: Rüştü; Fatih, Alpay, Korkmaz, Penbe; Davala, Tugay, Bastürk, Emre; Şaş e Şükür. Téc.: Şenol Güneş

Conquistas: Terceiro lugar da Copa do Mundo de 2002

Em 2002, após dificuldades para se classificar para a Copa do Mundo, o Brasil foi sorteado para um grupo que não prometia trazer grandes dificuldades. O mundo mal sabia que dali poderia sair uma das grandes surpresas do primeiro, e até hoje único, campeonato mundial já disputado na Ásia.

Com um time que mostrava força e talento, impulsionado pelos êxitos do Galatasaray, que havia vencido a UEFA Cup em 2000, a Turquia brilhou e conseguiu um excepcional terceiro lugar, vencendo, por fim, a anfitriã Coreia do Sul, que lá chegara com méritos, mas também em razão de equívocos de arbitragem. Para chegar ao mundial, os turcos alcançaram a segunda colocação do Grupo 4 das eliminatórias europeias, ficando atrás da Suécia e à frente de Eslováquia, Macedônia, Moldávia e Azerbaijão. No entanto, foi necessário um play-off para tanto.

Sem grandes dificuldades, a Turquia bateu a Áustria, com um placar agregado de 6x0 e carimbou seu passaporte para Japão e Coreia. Começava a ser escrita ali uma bela e nova página da Copa do Mundo, que só havia contado com a participação dos Ay Yildizlilar – as Estrelas Crescentes – em 1954. Nomes como Yildiray Bastürk, Hasan Şaş, Emre Belözoğlu ou Rüştü Reçber começavam ali a ganhar maior notoriedade.

Leia também: Times de que Gostamos: Galatasaray 1999-2000

A estreia, contra o Brasil, ficou muito lembrada pela curiosa cena em que Rivaldo simulou lesão, mas mostrou, contra qualquer prognóstico, que o país chegara para brilhar. A derrota por 2x1 só foi consumada aos 87 minutos, com gol de pênalti de Rivaldo, marcado em falta que aconteceu fora da área.

Na sequência, um empate contra a Costa Rica e uma vitória contra a China levaram a Turquia à fase eliminatória da competição. Nas oitavas de final, coube à equipe euroasiática eliminar o Japão, dono da casa, por 1x0; nas quartas só o gol de ouro parou os surpreendentes senegaleses que faziam bonito, mas pararam na competência turca, em novo 1x0. Foi então que vieram as semifinais e um velho algoz reapareceu: o Brasil.

Como se fosse regra, o placar das semifinais também registrou 1x0, mas dessa vez para a Canarinho. Os valentes turcos, que em seu desespero chegaram a protagonizar cena curiosa, perseguindo Denílson, caíram, mas na sequência conquistaram o merecido terceiro lugar.

Defendendo a meta turca estava o icônico Rüştü Reçber (foto). Recordista de jogos com a camisa de sua seleção, com 120 partidas, o goleiro deixou a Copa do Mundo como um dos grandes destaques. Sua aparência peculiar, com longos cabelos e pintura de guerra, trazia um pouco de folclore a sua carreira, mas a verdade é que o jogador foi muito bem no torneio e ganhou um lugar na seleção do mesmo, junto ao mito alemão Oliver Kahn. Ídolo no Fenerbahçe, foi contratado pelo Barcelona após o Mundial, mas, a despeito de seu bom posicionamento e reflexos, não foi bem.

Pela lateral direita, o dono da posição era Fatih Aykel, mas não se engane ao pensar nisso como algo absoluto. Em algumas ocasiões, a composição defensiva turca se reformatava e passava a defender com três defensores, levando o jogador a atuar em função mais resguardada e, em outros turnos, era o contrário que ocorria. Trazendo entrosamento do Galatasaray, Fatih avançava pelo flanco e quem ocupava sua posição era Ümit Davala (foto), também jogador afeito ao trabalho pelo lado direito, mas mais ofensivo.

No flanco canhoto da defesa, na maior parte do tempo o titular foi Ergun Penbe, referência histórica do Galatasaray, clube que defendeu por 13 anos. Jogador inteligente, possuía bom senso de posicionamento e tranquilidade para sair jogando, sendo também alternativa para outros setores. Seu concorrente era também jogador do Galatasaray. Hakan Ünsal, era mais ofensivo que Penbe e ficou marcado por ter sido o autor do chute que originou a pitoresca simulação de Rivaldo, ainda na partida de estreia da Copa do Mundo, sendo expulso e perdendo espaço.

A zaga era composta por grandes referências: Bülent Korkmaz e Alpay Özalan. O primeiro dedicou uma carreira inteira ao Galatasaray, com 19 anos. Conhecido como “O Guerreiro”, era mais um jogador de forte personalidade e que exercia importante influência sobre os companheiros. Não era alto, mas posicionava-se bem e tinha impressionante vigor físico. Compensando sua baixa estatura, Alpay foi um parceiro que tinha no jogo aéreo uma de suas grandes forças. Outro jogador turco eleito para a Seleção da Copa do Mundo de 2002, foi um jogador de sucesso, tendo atuado por Besiktas e Fenerbahçe e tido boa passagem pelo Aston Villa.

Quem também apareceu em alguns turnos pelo setor foi Ümit Özat, jogador polivalente e que podia fazer qualquer das posições da defesa turca, inclusive na contenção, como volante.

No meio-campo, pelo centro duas eram as referências. O meio-campista Tugay Kerimoğlu (foto), muito lembrado por suas extensas passagens por Galatasaray e Blackburn, era o coração do time. Extremamente técnico e bom passador, o jogador podia atuar em qualquer posição do meio, mas em geral desempenhava função mais defensiva, coordenando as ações do time de trás e sendo sempre uma alternativa para desafogar a equipe.

Próximo a si atuava o habilidoso Yildiray Bastürk, bom criador de jogadas, habilidoso e que finalizava bem de fora da área, havia sido vice-campeão da UEFA Champions League poucos antes do início da Copa do Mundo, representando as cores do Bayer Leverkusen, e vivia grande momento.


Pelos lados do meio-campo, atuavam o já citado Davala, jogador de enorme vocação ofensiva e velocidade, que proporcionava importantes arrancadas pelo flanco direito, e Emre Belözoğlu (foto), atleta extremamente técnico, pela esquerda. Emre era tão temperamental quanto inteligente e capaz de decidir um jogo. Ainda muito jovem à época, 21 anos, o jogador tinha um passe extremamente qualificado e grande espírito de luta. Cria do Galatasaray, dividiu a Turquia em 2008, quando retornou ao país após sua jornada no Newcastle, mas para o rival Fenerbahçe.

No ataque, atuando na “extinta” função de segundo atacante, Hasan Şaş (foto) confirmou-se um dos maiores destaques da Turquia. Outro ex-jogador do Galatasaray e também eleito para a seleção do torneio, o carequinha era um atleta que muito se movimentava por todo o setor do ataque – embora tivesse mais facilidade de atuar pela esquerda –, destacando-se por sua velocidade e habilidade no drible.

A seu lado, atuou o capitão do time: Hakan Şükür. Maior artilheiro da história da Seleção Turca, do Campeonato Turco e o jogador de seu país com maior número de gols marcados na UEFA Champions League, era um centroavante típico, um goleador com presença de área, boa finalização e posicionamento – além de deter grande liderança. Curiosamente, no Mundial só balançou as redes em uma ocasião, destoando do restante da equipe.

O treinador da equipe era Şenol Güneş, ex-jogador importantíssimo para a história do Trabzonspor e que à época havia obtido alguns êxitos no comando do próprio clube, levando-o a dois vice-campeonatos turcos, algo extremamente relevante, sobretudo considerando a supremacia de Galatasaray, Fenerbahçe e Besiktas no país. Outros jogadores foram importantes na campanha como foram os casos do defensor Emre Aşik e dos atacantes Nihat Kahveci, Arif Erdem e Ilhan Mansiz, que curiosamente foi o artilheiro da Turquia na Copa, com três tentos.

Ficha técnica de alguns jogos importantes nesse período:

Oitavas de final da Copa do Mundo de 2002: Japão 0x1 Turquia

Estádio Miyagi, Rifu

Árbitro: Pierluigi Colina

Público 45.666

Gol: ’12 Davala (Turquia)

Japão: Narazaki; Matsuda, Miyamoto, Nakata; Myojin, Toda, Nakata, Inamoto (Suzuki), Ono; Nishizawa, Alex (Ichikawa/Morishima). Téc.: Philippe Troussier

Turquia: Rustu; Alpay, Korkmaz, Ünsal; Davala (Nihat), Fatih, Tugay, Basturk (Ilhan), Penbe; Sas (Tayfur), Sukur. Téc.: Senol Gunes

Quartas de final da Copa do Mundo de 2002: Senegal 0x1 Turquia


Estádio Nagai, Osaka

Árbitro: Óscar Ruiz

Público 44.233

Gol: ’94 Ilhan (Turquia)

Senegal: Tony Silva; Coly, Diatta, Diop, Daf; Bouba Diop, Cissé, Diao; Camara, Diouf, Fadiga. Téc.: Bruno Metsu

Turquia: Rustu; Fatih, Alpay, Korkmaz, Penbe; Davala, Tugay, Emre (Arif), Basturk; Sas, Sukur (Ilhan). Téc.: Senol Gunes

Semifinal da Copa do Mundo de 2002: Brasil 1x0 Turquia

Estádio Saitama, Saitama

Árbitro: Kim Milton Nielsen

Público 61.058

Gol: ’49 Ronaldo (Brasil)

Brasil: Marcos; Lúcio, Edmílson, Roque Júnior; Cafu, Gilberto Silva, Kléberson (Belletti), Roberto Carlos; Edílson (Denílson), Rivaldo e Ronaldo (Luizão). Téc.: Luiz Felipe Scolari

Turquia: Rustu; Fatih, Alpay, Korkmaz, Penbe; Davala (Izzet), Tugay, Emre (Ilhan), Basturk (Arif); Sas, Sukur. Téc.: Senol Gunes

Decisão do terceiro lugar da Copa do Mundo de 2002: Coreia do Sul 2x3 Turquia

Estádio Daegu, Daegu

Árbitro: Saad Mane

Público 63.483

Gols: ‘1 Sukur e ’13 e ’32 Ilhan (Turquia); ‘9 Lee Eul-Yong e ’93 Song Chong-Gug (Coreia do Sul)

Coreia do Sul: Lee Woon-Jae; Yoo Sang-Chul, Hong Myung-Bo (Kim Tae-Young), Lee Min-Sung; Song Chong-Gug, Park Ji-Sung, Lee Young-Pyo, Lee Eul-Yong (Cha Du-Ri); Seol Ki-Hyeon (Choi Tae-Uk), Ahn Jung-Hwan, Lee Chun-Soo. Téc.: Guus Hiddink

Turquia: Rustu; Fatih, Alpay, Korkmaz, Penbe; Davala (Buruk), Tugay, Emre (Unsal), Basturk (Tayfur); Ilhan, Sukur. Téc.: Senol Gunes

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