segunda-feira, 14 de maio de 2018

Lucien Favre representa a aposta em um novo Dortmund

A temporada 2017/18 do Borussia Dortmund foi daquelas para se esquecer. Depois de anos de triunfo com Jürgen Klopp e altos e baixos sob o comando de Thomas Tuchel, os aurinegros erraram ao apostar em Peter Bosz, ex-comandante do Ajax, que havia levado os Godenzonen à final da Europa League. O resultado? Demissão no curso da temporada e aposta em Peter Stöger, que não conseguiu classificar o time à disputa da próxima Liga dos Campeões. Para voltar ao rumo das vitórias, o clube parece ter chegado a um acordo com Lucien Favre, como noticiou o Sky Sports.


Foto: Getty Images

O treinador, suíço, é um profundo conhecedor da Bundesliga. Treinou o Hertha Berlin entre 2007 e 2009 e, dois anos depois, chegou ao clube em que ergueu sua carreira. Em 2011, assumiu o comando do Borussia Mönchengladbach e mudou os rumos da história recente dos Potros.

Sucesso e reconhecimento em Gladbach

A missão de Lucien era inglória quando aportou no estádio Borussia-Park. O time vinha de uma sequência horrível. Já haviam transcorrido nove rodadas consecutivas com o clube figurando na lanterna da Bundesliga 2010/11. O rebaixamento à 2. Bundesliga parecia certo, como sinalizavam as 14 derrotas, quatro empates e quatro vitórias obtidas pela agremiação até a 22ª rodada do certame.

Após a chegada de Favre tudo mudou. O impacto foi imediato. Em sua estreia, o Gladbach venceu o Schalke 04 e até o final da campanha, acumulou mais cinco vitórias, empatou duas partidas e perdeu outras quatro. Não foi nenhum desempenho de encher os olhos, mas deixou o time na zona de play-off e acabou sendo suficiente para a permanência na elite.

Foto: Bongarts/Getty Images
Aquela campanha já vinha dando a conhecer o futebol de um atleta que se tornaria um dos principais alemães de sua geração. Foi sob a batuta do suíço que Marco Reus desabrochou. 

A seguir, 2011/12 acabou sendo uma temporada especial para os Potros, Reus e Favre. O time terminou a Bundesliga na quarta colocação, Marco Reus anotou 16 tentos na competição e chegou à seleção alemã.

Até 2014/15, a última temporada completa em que Favre liderou o Gladbach, o time viveu um período de renascimento. Na sequência dos anos, o time terminou uma liga na oitava posição, outra na quinta e a mais impressionante na terceira. Entretanto, após um início frágil em 2015/16, clube e treinador tomaram direções distintas. Lucien acabou partindo para o futebol francês, onde comanda o Nice.

Mas as sementes que plantou deram frutos. Não foi só Reus o talento lapidado por Favre. Por suas mãos passaram jogadores como o goleiro Marc-André Ter Stegen, hoje no Barcelona, o meio-campista do Arsenal, Granit Xhaka, o campeão mundial com a Alemanha, Cristophe Kramer, e o também promissor Mohamed Dahoud — outro que acabou se mudando para o Dortmund.

Aliás, seu recorde em partidas contra o próprio time amarelo e preto é bom. Representando o Gladbach, foram 10 os encontros, com quatro vitórias, quatro derrotas e dois empates.

Na França, Favre também deixou sua marca. Em 2016/17, ajudou o Nice a recuperar Mario Balotelli e terminou a temporada na terceira colocação da Ligue 1. Já na temporada que está em vias de se encerrar, o desempenho não foi tão sólido, mas o time conseguiu se manter sempre na parte de cima da tabela (atualmente é o sexto, faltando uma rodada para o fim da competição).

As marcas de Favre

Durante esse período, Favre desenvolveu uma reputação. Não só se mostrou capaz de montar times extremamente competitivos com poucos recursos como também deixou profundas marcas de estilo pelo caminho. Sua proposta sempre foi marcada por ofensividade e uma ideia de jogo esteticamente bela. Diferentemente de Stöger, por exemplo, foi exitoso com poucos recursos sem abrir mão de uma filosofia de jogo ofensiva.

Na campanha de 2014/15, ainda no comando do Gladbach, conseguiu fazer com que o time obtivesse a quarta posição no ranking de posse de bola da temporada, com 53%. Isso em um campeonato fortemente marcado por contragolpes. Na França, a tônica foi a mesma. Em sua primeira temporada, só teve menos domínio do que o PSG, com 57% de média — situação que se repete em 2017/18.

Fica claro, entretanto, que o Dortmund procura agora uma nova direção em relação ao que mostrou em sua história recente. Favre nunca foi um treinador marcado pela aplicação do famigerado Gegenpressing, que tanto caracterizou Klopp, nem procurou um estilo intenso quanto o de Tuchel, em seus melhores momentos sob a direção aurinegra.

Foto: Getty Images
Mudança de paradigma em Dortmund?

Como os alemães da DW o descrevem, Lucien é conhecido por buscar “um jogo mais lento, baseado em posse de bola, do que pelo estilo agressivo de pressão preferido por muitos treinadores da Bundesliga”. Isso representa uma mudança paradigmática radical no time do Vale do Ruhr; é quase uma alteração genética.

No entanto, se há um momento oportuno para uma transição tão profunda de proposta, a hora é agora. O time perdeu Pierre-Emerick Aubameyang para o Arsenal e viveu uma temporada fraca. Além disso, tem jogadores como Julian Weigl e o citado Dahoud — além de Marco Reus e Mario Götze — que são capazes de ajudar o treinador a aplicar sua ideia de jogo.

Há um outro ponto a ser considerado. Para Favre, o Dortmund representaria o salto que sua carreira precisa. Mais do que nunca, terá mão de obra para trabalhar, alguma margem para investimentos e jovens para lapidar – Jadon Sancho, por exemplo. Além disso, é certo que o treinador vive uma carreira com muito poucos baixos, o que o torna uma escolha segura.

A confirmação de sua contratação ainda não foi feita, provavelmente em respeito a Stöger, que já teve sua saída anunciada, e em razão de a Ligue 1 ainda estar em disputa. Entretanto, a chegada do suíço já é vista como certa; seu retorno à Bundesliga parece iminente. Tempos de mudanças em Dortmund parecem estar a caminho.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...